Zema diz que Moraes ‘paga pelo que plantou’ e critica Lula e Brics; governador do Piauí rebate e elogia postura do governo
Source: O Globo | Original Published At: 2025-07-31 14:37:27 UTC
Key Points
- Governadores de Minas Gerais e Piauí divergem sobre crise Brasil-EUA e participação no Brics
- Zema critica Alexandre de Moraes e defende revisão da estratégia do Brasil no Brics
- Fonteles elogia diplomacia de Lula e Alckmin frente ao tarifaço de Trump
- Ambos reconhecem impacto econômico negativo do tarifaço americano
- Zema anuncia R$ 200 milhões para exportadores mineiros afetados
No segundo debate da série Diálogos, organizada pelo GLOBO nesta semana, os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Piauí, Rafael Fonteles (PT), manifestaram divergências políticas profundas sobre a crise entre Brasil e Estados Unidos, a despeito da concordância sobre os efeitos econômicos do tarifaço. Opositor do presidente Lula (PT), o mineiro disse que o ministro Alexandre de Moraes “paga pelo que plantou”, criticou a postura do petista na relação com Donald Trump e questionou a participação do país no Brics.
— Querendo ou não, as questões econômicas e políticas têm uma zona de interseção, uma zona meio cinzenta. Está claríssimo que temos tido, principalmente por parte do Supremo, do ministro Alexandre de Moraes, excessos. Ele é o réu, o juiz, o acusador, a testemunha. Isso cria realmente um problema sério para a credibilidade do nosso Judiciário — alegou. —Nesse caso específico da ação contra ele, ele está pagando o preço por aquilo que plantou.
O governador de Minas chegou a questionar até a participação do Brasil no Brics, bloco que entrou na mira de Donald Trump.
— Estar no Brics para mim também é um problema. É um ‘Frankenstein’, um pedaço de boa parte do mundo que não tem nada em comum. São cristãos como o Brasil? São democráticos como o presidente Lula prega tanto? Estão próximos do Brasil?
Aliado do governo federal e correligionário de Lula, Fonteles, que também preside o Consórcio Nordeste, foi por outro caminho: elogiou a forma como a gestão petista conduz o caso, tentando diálogo “sem ser subserviente”.
— A postura do governo federal tem sido correta e gerado efeitos no curto prazo. O governo americano já recuou em 700 itens e já adiou por mais sete dias o início do tarifaço. Ou seja, temos mais tempo ainda para continuar com esse diálogo conduzido por um dos homens mais capacitados do país, o ministro (Geraldo) Alckmin — afirmou. — Vejo uma postura correta de manter o diálogo sem ser subserviente.
O mais preocupante, disse o piauiense, é a mistura entre temas políticos e assuntos comerciais.
— É algo desrespeitoso com o povo e as instituições brasileiras. Misturar um julgamento na Corte do país, se está feito ou não de maneira correta, com tarifas comerciais, é algo muito grave. A maioria do povo brasileiro se revolta com uma situação como essa.
Do ponto de vista econômico, os dois convergem ao elencar perdas para setores da economia.
— Tem um impacto muito grande em Minas Gerais que é um estado exportador, mas ontem, com a exclusão de alguns itens, já tivemos certo alívio. Mas ainda tem um peso muito grande a questão do café, que continua com 50%. O que tenho visto é que vão fazer ajustes de acordo com o mercado interno americano. Se perceberem que o café está subindo, vão reduzir a taxa. É acompanhar — avaliou Zema, que anunciou R$ 200 milhões de crédito emergencial via banco de desenvolvimento para aliviar as perdas dos exportadores.
No Piauí, indicou Fonteles, a dependência dos Estados Unidos é pequena, mas a preocupação dele aumenta enquanto presidente do consórcio regional.
— Há na nossa base exportadora menos de 5% para o mercado americano, enquanto mais de 65% são para a China. O efeito para o Piauí é pequeno se comparado a outros estados, inclusive do Nordeste, que têm mais de 40% — explicou. — Como estou na presidência do Consórcio Nordeste, isso me preocupa. Terei uma reunião na semana que vem com o presidente Lula e o vice Alckmin.