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Trump: Mercado não espera tarifas para já e reage bem

Trump: Mercado não espera tarifas para já e reage bem
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Source: UOL | Original Published At: 2025-01-20 20:33:00 UTC

Key Points

  • Trump adia imposição de tarifas comerciais em seu primeiro dia de governo
  • Mercados reagem positivamente com queda do dólar e alta de bolsas
  • Tarifas propostas incluem 25% sobre Canadá e México e 60% sobre produtos chineses
  • Especialistas alertam sobre impactos globais e possíveis retaliações
  • Menciona BRICS como alvo potencial, incluindo o Brasil

São Paulo

O dólar caiu em diferentes mercados nesta segunda-feira (20), dia da posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois que autoridades do novo governo sinalizaram à imprensa internacional que o republicano não imporia novas tarifas comerciais em seu primeiro dia no cargo.

Trump até citou as tarifas no discurso de posse e afirmou, após o fechamento dos mercados, que estava pensando em impor taxas de 25% sobre importações do Canadá e do México e que a ação poderia ocorrer em 1° de fevereiro.

Os temores, no entanto, eram que o novo governo já daria início de imediato a uma nova —e ainda mais severa— edição da guerra comercial. Não houve assinatura de medidas com imposição de novas tarifas, e a mudança de tom deu alívio momentâneo aos mercados globais.

Máscara de borracha retratando o presidente dos EUA, Donald Trump, em um mercado em Hong Kong – Peter Parks/AFP

Moedas como o euro, o dólar canadense, o peso mexicano e a libra esterlina fecharam o dia com altas de 1% a 1,5% em relação ao dólar. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a outras divisas fortes, chegou a cair mais de 1%.

No Brasil o Banco Central vendeu nesta segunda-feira um total de US$ 2 bilhões (R$ 12,13 bilhões) em dois leilões com compromisso de recompra realizados durante a manhã. O dólar encerrou a sessão com queda de 0,36%, cotado a R$ 6,042. Já a Bolsa encerrou com alta de 0,41%, aos 122.855 pontos.

Durante a campanha, Trump prometeu impor tarifas de 10% sobre as importações globais —60% sobre produtos chineses e uma sobretaxa de importação de 25% sobre produtos canadenses e mexicanos.

Caso isso se concretize, a política protecionista do republicano poderia prejudicar os fluxos comerciais, aumentar os custos de produção e provocar retaliação dos demais países, sobretudo da China.

Sem especificar quando isso ocorreria, Trump prometeu uma revisão do sistema de comércio exterior e disse que os Estados Unidos vão estabelecer uma espécie de “serviço de receita externa”.

“Em vez de tributar nossos cidadãos para enriquecer outros países, vamos taxar e tributar países estrangeiros para enriquecer nossos cidadãos”, disse.

“Estamos estabelecendo o serviço de receita externa para coletar todas as tarifas e taxas. Serão enormes quantias de dinheiro que entrarão em nosso Tesouro, provenientes de fontes estrangeiras”, disse ele, em seu discurso de posse.

O republicano também criticou a presença de navios chineses no canal do Panamá —que ele antes já havia ameaçado retomar.

Parte dos analistas avalia que Trump está adiando a imposição de tarifas no primeiro dia de governo enquanto aposta que outras medidas irão reduzir os preços de energia e aliviar a inflação.

“A crise inflacionária foi causada por gastos excessivos maciços e aumento dos preços da energia”, disse Trump em seu discurso de posse, ao sugerir que o aumento da produção de petróleo reduziria os preços.

As medidas incluem aliviar os encargos regulatórios sobre a produção de petróleo e gás natural no Alasca e declarar emergência energética para impulsionar a produção de eletricidade.

A agência Bloomberg ouviu de funcionários do governo que a Casa Branca irá fazer estudos antes de tomar alguma medida mais drástica no comércio exterior.

Segundo Lia Valls, pesquisadora associada do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas e professora da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Trump sabe que mexer nas tarifas provocaria efeitos internos também, como aumento de preços que prejudicam as indústrias americanas.

“Mas isso não quer dizer que ele não vá fazer. Em seu outro mandato, com a guerra comercial, o comércio dos EUA com a China diminuiu, mas o déficit com os chineses não caiu. Todo mundo revidou, inclusive a União Europeia, e ele teve de renegociar.”

Para o presidente-executivo da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, é um bom sinal que um anúncio concreto de tarifas não tenha sido feito na posse do norte-americano.

“Trump demonstra bom senso, se tomar as decisões com planejamento e baseado em dados, sem fazer algo por impulso. Em seu mandato anterior, ele por impulso queria força a China a comprar US$ 10 bilhões em produtos dos Estados Unidos, o que não aconteceu. Se ele esperar um pouco antes de tomar qualquer ação, ver se as medidas são corretas, estará dando um bom sinal”, diz o especialista.

Castro reforça que a imposição de tarifas conforme o político havia prometido em campanha poderia gerar uma insegurança no mercado, que desconfia de medidas dessa natureza. “Ele pode tentar fazer alguma coisa simbólica. Se cumprir as promessas, pode desorganizar a economia mundial.”

Para Welber Barral, consultor e ex-secretário de Comércio do Brasil, Trump deve ter sido alertado quanto aos danos de impor repentinamente as tarifas prometidas durante a campanha.

“Mas é fato que ele fez uma promessa direta, principalmente citando China, México e Canadá, e deve usar isso como forma de pressão contra esses países. Lembrando que precisamos ficar atentos, já que ele também mencionou os países do Brics como alvo, o que inclui o Brasil.”

Os analistas complementam que a China é o país diferente daquele que Trump rivalizou em seu primeiro mandato, e que o asiático ganhou peso e voz no cenário internacional. No intervalo em que Trump esteve longe da Casa Branca, a economia da Índia também ganhou destaque e participação internacional.

À agência de notícias Reuters o chefe de Macroeconomia do Monex Europe, Nick Rees, disse que um alívio parece ter tomado os mercados, com a perspectiva de que as tarifas de Trump não serão para já.

“Ainda assim, achamos que essa confiança pode ser um pouco exagerada, já que a imposição de amplas tarifas no primeiro dia de mandato sempre foi algo improvável. A questão é o que será feito depois da posse”, pondera.

Já os analistas da Pictet Wealth Management destacaram a presença de duas forças conflitantes no novo gabinete de Trump: os linha-dura que devem empurrar o governo em direção a impor tarifas pesadas sobre as importações e aqueles com uma visão mais favorável ao livre mercado.

“Embora a gente suspeite que um bom grau de volatilidade ainda vai persistir por algum tempo, esperamos que seu primeiro ano no cargo coincida com uma nova valorização do dólar e das ações dos Estados Unidos”, disse também à agência o economista sênior de mercados da Capital Economics, James Reilly.

Além da reforma no comércio dos Estados Unidos com o exterior, Donald Trump assume o cargo com uma agenda que abrange repressão à imigração, cortes de impostos e flexibilização da regulamentação de criptomoedas.

Gerentes de investimento estão ajustando portfólios em todas as classes de ativos, observando seu discurso de posse em busca de sinais que possam desencadear movimentos de mercado de curto prazo.

“Trump teve um mandato anterior imprevisível, então nosso trabalho é garantir que o país esteja pronto para qualquer cenário”, disse o ministro das Finanças canadense, Dominic LeBlanc, à Associated Press.

A aposta dos mercados, desde outubro, era pelo choque na inflação que teriam as propostas de Trump para tarifas comerciais e cortes de impostos, o que obrigaria o banco central norte-americano a manter os juros altos por mais tempo.

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