✨ Fudan New IOGG Program Open!

2nd Round closes in Loading... !
View Details

Inteligência artificial impacta mercado de trabalho e ameaça profissões; saiba quais

Inteligência artificial impacta mercado de trabalho e ameaça profissões; saiba quais
Cooperation areas

Source: O Dia | Original Published At: 2025-09-07 08:00:00 UTC

Key Points

  • Inteligência artificial pode causar perda de 92 milhões de empregos até 2030
  • Profissões ligadas à linguagem e atendimento ao cliente estão entre as mais ameaçadas
  • Novas funções como AI product manager e curador de dados ganharão relevância
  • Ministério do Trabalho e Emprego criou grupo de trabalho para estudar impactos da IA
  • Presidente Lula defende acesso democrático ao desenvolvimento da inteligência artificial

A longo prazo, segundo estudo, quase metade das tarefas administrativas e jurídicas pode ser automatizadaAFP

Publicado 07/09/2025 05:00

O avanço da inteligência artificial (IA) vem gerando preocupação no mercado profissional. O Relatório do Futuro do Trabalho de 2025, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, aponta que a IA pode causar a perda de 92 milhões de empregos até 2030, além de extinguir algumas atividades. Especialistas ouvidos por O DIA indicam quais profissões estão em risco e como os trabalhadores podem se preparar para as mudanças.

Marino Catarino, professor de Inteligência Artificial da Faculdade Eseg, do Grupo Etapa, afirma que profissões relacionadas à linguagem, como tradutores, jornalistas e roteiristas, são as mais afetadas por essa ferramenta.

“Embora não tenha sido criada com o propósito de causar desemprego, sua capacidade de automatizar funções e gerar conteúdo original tem levado à substituição de profissionais em diversas áreas”, explica.

“As profissões relacionadas à linguagem, como tradutores, jornalistas e roteiristas, são as mais afetadas. Setores de atendimento ao cliente, como telemarketing e call centers, também estão sendo substituídos gradualmente por IAs. Além disso, até mesmo algumas funções de tecnologia, como cargos de entrada para desenvolvedores e cientistas de dados, já estão sofrendo com essa automação.”

A tradutora autônoma Julia Franca Zorzal, de 25 anos, diz que a IA representa uma preocupação para o seu trabalho. Embora ressalte que o uso de ferramentas automatizadas não seja novidade na área de tradução, ela conta que a inteligência artificial está promovendo mudanças.

“Muitas empresas passaram a diminuir os valores pagos ao tradutor com o intuito de oferecer serviços mais baratos através do uso da IA. Além disso, surgiram as vagas de revisão de tradução de IA e treinamento de IA para tradução, que pagam menos ainda, apesar de ter complexidade semelhante, e não são os tipos de serviço que a maioria dos tradutores profissionais procura”, explica

A tradutora também pontua as diferenças percebidas com a popularização da tecnologia.

“Vejo colegas de profissão que estão na carreira há muitos anos comentando a queda em seus volumes anuais de serviço, assim como a pressão para diminuição das tarifas. Também já vi casos de legendas autorais que foram usadas para alimentar a IA, o que, pela falta de regulamentação, pode acontecer com qualquer tipo de texto e imagem”, alerta.

A ilustradora editorial, animadora 2D e artista freelancer Karen Muller, de 25 anos, garante que já é possível notar grandes mudanças promovidas pela inteligência artificial.

“É impossível negar que a IA mudou muito o andar das coisas. No meu emprego como ilustradora editorial, por exemplo, foi onde senti mais o impacto dessa mudança. Os superiores pediam que usássemos IA como parte do processo criativo, obrigatoriamente, nos forçando a aprender e a nos adaptar ao uso das ferramentas. Muito por conta do tempo que tínhamos para produzir as coisas, a pressão para usar IA era absurda!”, reclama a ilustradora.

O especialista Marino Catarino também menciona que, a longo prazo, segundo a projeção do Fórum Econômico Mundial, quase metade das tarefas administrativas e jurídicas poderá ser automatizada.

Como se preparar?

Segundo a fundadora e sócia de multinegócios Norma Waichert, a inteligência artificial torna mais vulneráveis os trabalhadores que atuam em funções de “baixo valor agregado e alta repetitividade”.

“O perfil de trabalhador mais vulnerável a ser substituído pela IA é o de pessoas com baixo nível de escolaridade e pouco acesso a treinamentos em tecnologia digital e gestão de pessoas. Áreas de suporte administrativo, atendimento e funções básicas de escritório, por exemplo, correm esse risco”, afirma. “Quanto à idade, o impacto não é necessariamente pela idade em si, mas pela resistência à adaptação e à inteligência emocional”, esclarece.

Para se protegerem de possíveis cortes relacionados ao uso da IA, Norma recomenda que sejam adquiridas novas habilidades, como aprender a usar a tecnologia como copilotos, e não como concorrentes, além de fazer cursos de transição de carreira e acompanhar a evolução da profissão.

O designer Dilan Soares, de 28 anos, conta que já estudou sobre a tecnologia.

“Já fiz alguns cursos sobre inteligência artificial e achei alguns deles bem interessantes, com a proposta de facilitar o domínio da ferramenta por parte do designer”, diz.

“Eu entendo quem enxerga a IA como ameaça ao trabalho de designer, mas a realidade é que um dia a TV já foi ameaça ao rádio, o streaming já foi ameaça a TV. Na verdade, com o conhecimento e a maior exploração das plataformas, hoje em dia todos esses meios de comunicação andam conectados. Acredito que a relação dos designer com a IA vai caminhar nessa direção, afinal a principal ferramenta do designer é a criatividade”, comenta Dilan.

Novas profissões

Apesar de representar uma ameaça a determinadas profissões e cargos, a inteligência artificial também abre espaço para o surgimento de novas funções e oportunidades no mercado de trabalho.

Vinícius Gallafrio, CEO da Madeinweb — empresa de soluções digitais em desenvolvimento de software, IA, e automação — indica alguns cargos que tendem a surgir ou a ganhar relevância, como:

  • AI product manager;
  • AI business translator;
  • Designer de experiências com IA;
  • Curador de dados/sintéticos, governança e risco (LGPD/segurança/viés);
  • Workflow engineer (conectar IA a processos);
  • Supervisão humana (RLHF);
  • Avaliação de qualidade de modelos.

Grupo de trabalho

O Ministério do Trabalho e Emprego instaurou um Grupo de Trabalho (GT) no dia 13 de agosto sobre inteligência artificial. Na ocasião, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que os desafios gerados pela tecnologia são sérios e precisam ser avaliados em todas as suas dimensões, inclusive a ética. Ele também alertou que a sociedade deve debater como promover a apropriação das inovações tecnológicas.

“Muitas vezes, as inovações são apropriadas por poucos, o que aumenta as desigualdades”, ressaltou o ministro.

“O GT-IA terá atribuições de realizar estudos e pesquisas sobre o impacto da IA tanto no mercado de trabalho quanto no atendimento dos serviços públicos, com foco em identificar tendências e perspectivas futuras. O grupo também se dedicará a identificar oportunidades para o desenvolvimento de produtos e serviços baseados em IA que promovam a inclusão social e gerem novos empregos”, divulgou o Ministério na ocasião.

Procurada por O DIA, a Pasta informou que não possui dados sobre as categorias mais afetadas pela inteligência artificial.

Em julho, durante a sessão plenária da Cúpula dos Chefes de Estado do Brics, no Rio de Janeiro, sobre Fortalecimento do Multilateralismo, Assuntos Econômico-Financeiros e Inteligência Artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o desenvolvimento da IA não pode ser um privilégio.

“O desenvolvimento da Inteligência Artificial não pode se tornar privilégio de poucos países ou instrumento de manipulação na mão de bilionários. Tampouco é possível progredir sem a participação do setor privado e das organizações da sociedade civil”, frisou o presidente.

A tradutora Julia Zorzal destaca a importância de estabelecer diretrizes para o uso da inteligência artificial.

“A regulamentação do uso da IA é algo que vejo como urgência, e não apenas profissionalmente. Infelizmente, é algo que impulsionou a produção e proliferação de informações falsas através da IA generativa”, diz.

Ela também reforça que os direitos autorais são ameaçados pela ferramenta.

“Os direitos autorais estão em jogo ao permitir a alimentação das IAs com quaisquer materiais, assim como os dados privados da população, de forma que os direitos básicos também são colocados em risco. Os direitos dos trabalhadores também devem ser um foco quando se trata da segurança do trabalho e a substituição do serviço humano pela IA”, afirma.

滚动至顶部