AGU aciona PF e CVM para apurar fake news sobre Galípolo que teria afetado o dólar
Source: InfoMoney | Original Published At: 2024-12-19 09:24:08 UTC
Key Points
- AGU investiga fake news sobre Gabriel Galípolo que afetaram o dólar
- Postagens falsas atribuídas a Galípolo mencionaram moeda dos Brics e cotação a R$ 5
- Dólar atingiu recorde de R$ 6,2672 com alta de 2,82%
- Banco Central realizou leilões sem efeito significativo
- AGU aponta prejuízo às políticas de estabilização cambial
A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Polícia Federal (PF) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para investigar a disseminação de informações falsas envolvendo o próximo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e sua suposta posição sobre o dólar e políticas monetárias. Segundo a AGU, postagens feitas na rede social X (antigo Twitter) atribuíram declarações falsas a Galípolo, como a afirmação de que ‘a moeda dos Brics nos salvaguardaria da extrema influência que o dólar exerce no nosso mercado’ e a previsão de uma cotação do dólar a R$ 5.
Essas informações foram amplamente compartilhadas e repercutiram entre perfis especializados em análise econômica, o que, segundo a AGU, teria aumentado a volatilidade no mercado. O dólar fechou em R$ 6,2672, maior valor já registrado, com alta de 2,82% no dia.
Na tentativa de conter a disparada da moeda americana, o Banco Central realizou leilões de dólar no mercado de câmbio, mas a intervenção não teve efeito significativo. Para a AGU, a desinformação prejudicou as políticas públicas voltadas à estabilização cambial.
‘A interferência direta na percepção do mercado comprometeu a eficácia das medidas para conter o câmbio’, afirmou o órgão.
A AGU solicitou que a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD) encaminhasse ofícios à PF e à CVM, pedindo apuração de possíveis crimes contra o mercado de capitais. Segundo o órgão, existe relação direta entre a valorização do dólar e a queda no volume negociado na Bolsa, que fechou em forte baixa, o que reforça a gravidade das postagens.
Gabriel Galípolo, que assume a presidência do Banco Central em 2025, atualmente ocupa o cargo de diretor de Política Monetária. Sua gestão começará em um momento de volatilidade cambial e incertezas sobre a economia brasileira.
No mercado, a alta do dólar é atribuída ao pessimismo em relação ao pacote de cortes de gastos enviado pelo governo ao Congresso. Apesar da aprovação inicial de algumas medidas, como a limitação de benefícios tributários em períodos de déficit, analistas permanecem céticos sobre a capacidade do pacote de conter o endividamento público.