Ao lado de Bolsonaro, Guedes diz que aprovação de reformas compensaria furo do teto de gastos
Source: O Globo | Original Published At: 2021-10-24 14:45:10 UTC
Key Points
- Guedes defende Auxílio Brasil de R$400 e vincula aprovação de reformas à compensação pelo rompimento do teto de gastos
- Bolsonaro nega possibilidade de demissão de Guedes: 'A gente vai sair juntos'
- Ministro critica lentidão na aprovação da reforma do Imposto de Renda no Senado
- Guedes estima economia de R$300 bilhões com reforma administrativa como compensação ao rompimento do teto
- Presidente reclama do aumento de preços da Petrobras e prevê novo reajuste
BRASILIA – Após a crise da última semana gerada pelo anúncio de que o governo federal iria furar o teto de gastos para pagar o Auxílio Brasil, o presidente Jair Bolsonaro foi a um evento público em Brasília neste domingo acompanhado do ministro da Economia Paulo Guedes. Em uma entrevista coletiva, Guedes voltou a defender o pagamento do benefício de R$ 400 às famílias mais pobres e disse que a aprovação de reformas propostas pelo governo, como a administrativa e a do Imposto de Renda, compensariam o furo do teto.
Bolsonaro também negou a possibilidade de que Guedes deixasse o governo. Ao ser questionado sobre o assunto, afirmou: – A gente vai sair juntos (do governo), fique tranquilo.
Na entrevista, Guedes pediu que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), dê andamento às reformas propostas pelo governo e chegou a criticá-lo pelo lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República. – Se ele quiser se viabilizar como uma alternativa séria, ele precisa ajudar nosso governo a fazer as reformas – afirmou Guedes.
Para o ministro, a reforma administrativa seria uma compensação ao furo do teto de gastos e atenuaria as desconfianças que surgiram sobre as finanças do governo após o Auxílio Brasil. – Ele (Bolsonaro) tá pedindo exatamente isso: como é que a gente resolve esse problema? Aí a economia tá dizendo pra ele: presidente, vamos avançando com as reformas, se fizermos a administrativa, nós economizamos R$ 300 bilhões. Então qualquer pessoa séria no Brasil vai entender. ‘Olha, eles realmente empurraram um pouquinho mais aqui o teto, mas em compensação, gastaram 30 (bilhões de reais) e economizaram 300 (bilhões de reais). Então eles estão fazendo o dever de casa – afirmou Guedes.
O ministro disse que a fonte dos recursos seria, em um primeiro momento, proveniente da reforma do Imposto de Renda, mas reclamou que a proposta ainda não avançou no Senado. Em seguida, afirmou ser um defensor do teto de gastos, mas que era necessário “dar uma ajuda” aos brasileiros mais vulneráveis. – Todos sabem que eu defendo o teto. O teto é uma bandeira nossa de austeridade… – O teto é um símbolo de compromisso com as gerações futuras. Mas se você perguntar pras gerações futuras ‘nós vamos deixar dezessete milhões de famílias brasileiras passando fome?’, eles vão dizer que não… – complementou o ministro.
Bolsonaro também voltou a se queixar da Petrobras e do aumento no preço dos combustíveis, afirmando que um novo reajuste deve ocorrer nesta semana. – Eu não tenho como interferir na Petrobras. Tenho falado com Guedes sobre o que vamos fazer com ela no futuro. A gente não vai interferir no preço de nada… – afirmou.