Posse de Rodrigo Paz marca fim da esquerda na Bolívia
Source: G1 | Original Published At: 2025-11-08 17:28:27 UTC
Key Points
- Rodrigo Paz assume presidência da Bolívia após vitória do Partido Democrata Cristão
- Fim de 20 anos de governos de esquerda liderados pelo MAS de Evo Morales
- País enfrenta grave crise econômica com escassez de dólares e combustíveis
- Novo governo promete cortar subsídios e implementar reformas econômicas
- Paz busca diálogo com o Brasil e manter participação na BRICS e Mercosul
A sucessão acontece em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas. Ele recebe o cargo de Luis Arce, um ex-aliado tornado desafeto de Evo Morales.
O novo presidente, de 58 anos, filho do ex-presidente Jaime Paz (1989-1993), foi recebido com aplausos no palácio legislativo boliviano, no centro de La Paz, pelos deputados e por delegações internacionais.
Uma chuva torrencial no coração da cidade marcou os atos oficiais. A área do Palácio do Governo e do Parlamento permaneceu sob forte proteção policial.
Paz, após vencer as eleições de outubro com o Partido Democrata Cristão, recebe um país em grave crise econômica devido à escassez de dólares e combustíveis.
O governo do antecessor, Luis Arce, esgotou quase todas as suas reservas cambiais para sustentar uma política de subsídios universais à gasolina e ao diesel.
Paz prometeu cortar mais da metade dos subsídios aos combustíveis e um programa de “capitalismo para todos”, que se concentra na formalização da economia, na eliminação de obstáculos burocráticos e na redução de impostos.
Mais de 50 delegações internacionais chegaram à sede do governo da Bolívia, a 3.600 metros acima do nível do mar. Entre os principais participantes estão o vice-chanceler norte-americano Christopher Landau e os presidentes Gabriel Boric (Chile), Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), entre outros.
Fora da disputa, Evo pregou voto nulo nas eleições. “Ambos representam um punhado de pessoas na Bolívia, não representam o movimento popular, muito menos o movimento indígena. Estamos aqui para cumprir a democracia. Votamos, mas não viemos para eleger”, disse.
Assim termina uma era iniciada por Morales em 2006 e encerrada por seu sucessor e hoje adversário Luis Arce. Sob a esquerda e o partido MAS, fundado por Morales, a Bolívia viveu um ciclo que passou da bonança proporcionada pela nacionalização do gás à queda dramática da produção do recurso que praticamente secou a fonte de divisas.
Hoje, são comuns as longas filas nos postos de gasolina ou para se receber arroz ou óleo subsidiados na pior crise que o país de 11,3 milhões de habitantes enfrenta em quatro décadas.
Durante a campanha, Paz se voltou a propostas para neutralizar a polarização no país. Paz indicou diálogo com Lula. Apesar de se posicionar contra as bases de Morales, um tradicional aliado de Lula na América do Sul, ele indicou que pretende dialogar com o governo brasileiro.
Além disso, em relação ao Brasil, mesmo discordando do governo Lula, Paz afirmou em campanha que “o Brasil é nosso principal parceiro estratégico” e, por isso, quer fortalecer a parceria da Bolívia com o país, mantendo a participação do país andino no Mercosul e no Brics.