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Criação do novo Ministério do Emprego para Onyx abrirá mais de 200 cargos de indicação política

Criação do novo Ministério do Emprego para Onyx abrirá mais de 200 cargos de indicação política
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Source: Jornal O Globo | Original Published At: 2021-07-27 07:30:11 UTC

Key Points

  • Criação do novo Ministério do Emprego e Previdência com orçamento superior a R$ 700 bilhões
  • Abertura de pelo menos 202 cargos de indicação política para aliados do presidente Bolsonaro
  • Transferência de competências e servidores do Ministério da Economia para a nova pasta
  • Disputa entre Paulo Guedes e Onyx Lorenzoni pela equipe técnica e estrutura administrativa
  • Importância estratégica dos cargos regionais para articulação política com o Centrão

BRASÍLIA – Após garantir o maior orçamento do governo (superior a R$ 700 bilhões) ao ficar responsável pelo pagamento das aposentadorias e pensões do INSS, o novo Ministério do Emprego e Previdência será palco de uma disputa por cargos.

A pasta, anunciada para acomodar o atual ministro da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, abrirá pelo menos 202 vagas relevantes, com poder de decisão, que poderão ser usadas para indicações políticas.

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A expectativa é que o novo ministério seja usado para acomodar aliados do presidente Jair Bolsonaro, especialmente os indicados do chamado Centrão, grupo de parlamentares alinhados com o governo no Congresso.

Do total de cargos que serão abertos, o ministro prometeu manter a equipe técnica responsável pelas áreas trabalhista e previdenciária em Brasília, o que significa um total de 60 vagas, além de seis cargos da Dataprev (estatal de processamento de dados do governo).

Na prática, seria apenas a transferência de vagas do Ministério da Economia a outra pasta. Não há, porém, garantia de que o ministro vá manter os nomes atuais nos postos.

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À disposição da Casa Civil

Existem ainda 27 superintendências regionais do trabalho nos estados. Além disso, há cinco superintendências e 104 gerências-executivas do INSS em todo o país. Esses postos são cobiçados por políticos, porque cuidam de áreas ligadas diretamente ao atendimento ao cidadão e estão presentes em diversos municípios.

A tendência é que esses cargos fiquem à disposição para serem negociados pelo futuro ministro da Casa Civil, senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais líderes do Centrão.

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Para nomear Ciro, Bolsonaro colocará o atual ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, na Secretaria de Governo e deslocará Onyx desta pasta para o novo ministério.

As superintendências regionais do trabalho coordenam as ações da fiscalização do trabalho, visitas às empresas.

Elas têm o poder de embargar obras e interditar estabelecimentos, autuar e multar empregadores, além de atender a decisões judiciais para realização de perícias sobre segurança dos trabalhadores.

Além disso, os cargos têm salário entre R$ 13,6 mil e R$ 16,9 mil e contam com outros benefícios, como auxílios e diárias. A nova pasta contará também com uma estrutura básica de apoio, como gabinete, assessoria parlamentar, ouvidoria, consultoria jurídica e assessoria de comunicação, entre outros departamentos.

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Também irá para o novo ministro a gestão dos contratos com a Dataprev para processar benefícios do INSS, o seguro-desemprego e o Benefício Emergencial para manutenção do emprego. O custo do contrato é de R$ 334 milhões por ano.

O novo ministério será criado por medida provisória (MP), e o formato final ainda está sendo desenhado por técnicos da Economia e Casa Civil. Por se tratar de uma MP, as regras começam a valer imediatamente, mas precisam ser validadas pelo Congresso em um prazo de 120 dias.

Guedes disputa equipe

Apesar das declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, a favor da recriação da pasta, técnicos que cuidam da burocracia da Economia travam uma disputa nos bastidores com a equipe de Onyx. Isso porque Guedes não estaria disposto a ceder servidores que cuidam da área-meio, mas apenas as áreas diretamente ligadas à atual Secretaria Especial de Previdência e Trabalho.

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O ministro da Economia pretende entregar uma estrutura enxuta, apenas o suficiente para tocar medidas por emprego. Sendo assim, caberia à Casa Civil criar novos cargos para montar a estrutura da nova pasta.

Esse pacote básico abrange, por exemplo, a subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Administração. Atualmente, as secretarias que estão sob o guarda-chuva do Ministério da Economia compartilham essa estrutura.

Com o desmembramento do Trabalho, é preciso remanejar servidores para montar essa unidade, que existe em todos os ministérios.

O processo é repleto de burocracias, e essa fase exige atenção, porque deixar alguma função básica de fora pode comprometer o funcionamento do futuro ministério.

Também é preciso fazer a revisão, cargo a cargo, das competências técnicas de todas as funções que serão transferidas para a nova pasta. Encerrada essa etapa é que começam a ser preparados os decretos de transferência de pessoal.

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As cerca de 200 vagas que Onyx terá se referem a cargos de gestão e poder de decisão. Mas há ainda cargos com atribuições que não são ligadas diretamente à gestão que são de livre indicação para nomeação, embora tenham salários mais baixos.

Levantamento feito pelo GLOBO no painel de Raio X da Administração, do Ministério da Economia, mostra que, em maio deste ano, estavam ocupados 156 cargos de livre nomeação na Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. Esses cargos são chamados tecnicamente de DAS.

Desses cargos, a maior parte (142), ficam entre os níveis DAS 1 e DAS 4, cujos salários variam entre R$ 2,7 mil e R$ 10,3 mil.

No INSS, o portal aponta a ocupação de 457 cargos de livre nomeação em maio, a maior parte do primeiro nível da vaga, com salário mais baixo.

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