Reeleita no Banco do Brics, Dilma confirma ferrovia transoceânica
Source: O Globo | Original Published At: 2025-03-23 14:09:29 UTC
Key Points
- Dilma Rousseff reeleita para mais cinco anos no Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS
- Projeto da ferrovia transoceânica confirmado como prioridade para escoar produção agrícola brasileira ao Pacífico
- Cooperação Brasil-China focada em 'sinergias' após não adesão ao projeto Cinturão e Rota
- Parcerias de longo prazo exigem tempo para concretização, segundo Dilma
- Ferrovia transoceânica visa reduzir custos de exportação para mercados asiáticos, especialmente a China
A ex-presidente Dilma Rousseff confirmou neste domingo que ficará mais cinco anos à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD, também conhecido como ‘banco do Brics ‘). Dilma assumiu em março de 2023 a presidência do banco sediado em Xangai e seu mandato atual termina em julho deste ano. Mas foi estendido ‘por unanimidade’ para um período adicional, segundo ela.
— Fui reeleita. Eles indicaram e o ‘board’ aprovou por unanimidade — afirmou a ex-presidente, durante um evento realizado em Pequim.
Após dois anos na presidência do NBD, Dilma fez um balanço positivo de sua gestão, afirmando que quando ela assumiu o cargo ‘esse banco não tomava empréstimos havia 16 meses. Agora estamos bem’.
Nesse período, Dilma também foi um fator importante na aproximação política entre o Brasil e a China, estando ativamente envolvida no plano de promover ‘sinergias’ entre projetos econômicos dos dois países. A ideia foi lançada oficialmente em novembro, durante a visita ao Brasil do presidente chinês, Xi Jinping.
Para decepção de Pequim, a visita não produziu a adesão do Brasil à iniciativa Cinturão e Rota, o megaprojeto chinês de infraestrutura da China conhecido como ‘a Nova Rota da Seda’. Em vez disso, ficou decidido que os dois países buscariam formas de cooperar em projetos conjuntos, as tais ‘sinergias’, com potencial de investimento chinês no Brasil. Para isso, foram criadas duas forças-tarefa que deveriam apresentar propostas num prazo de 60 dias.
Mais de quatro meses depois, porém, ainda não há resultados conhecidos. Uma missão da Casa Civil, que coordena as negociações pelo lado brasileiro, tinha uma visita a Pequim programada para este mês a fim de fechar algumas parcerias.
Entre os projetos discutidos, há alguns na área financeira que estão avançados, segundo fontes diplomáticas. Um dos mais esperados no setor de infraestrutura é o da ferrovia transoceânica. Sonho antigo, a linha serviria para escoar a produção agrícola brasileira pelo Pacífico, cortando custos para a exportação de produtos brasileiros a importantes mercados da Ásia, principalmente o chinês.
Segundo Dilma, é preciso entender que são parcerias de longo prazo, que não se concretizam ‘assim, de uma hora para outra’. Dito isso, ela não deixou margem para dúvida de que a ferrovia está entre os projetos que vão avançar.
— Certeza absoluta — afirmou.
Dilma foi uma das presenças ilustres do Fórum de Desenvolvimento da China, evento que foi aberto neste domingo pelo premier do país, Li Qiang. Num discurso lido em inglês, Dilma foi efusiva ao elogiar o modelo de desenvolvimento da China.
Questionada sobre a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar tarifas de importação de até 100% aos países do Brics caso o grupo decida estabelecer uma moeda alternativa ao dólar, ela devolveu a pergunta.