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Mercosul racha ao meio e Lula amplia para América Latina e Caribe a reação a Trump

Source: Estadão | Original Published At: 2025-04-10 23:00:00 UTC

Key Points

  • Divisão do Mercosul entre Brasil/Uruguai e Argentina/Paraguai diante da política de Trump
  • Lula lidera iniciativa de integração da América Latina e Caribe via Celac
  • Declaração da Celac rejeitada por Argentina, Paraguai e Nicarágua
  • Comércio Brasil-Celac supera US$ 87 bilhões em 2024
  • Proposta de candidatura única latino-americana para a ONU, possivelmente Michelle Bachelet
  • Agenda internacional de Lula inclui China, Rússia, França e Cúpula dos Brics

O Mercosul racha ao meio na pior hora, com o Brasil e o Uruguai de um lado, articulando uma reação ao tarifaço de Donald Trump, e a Argentina e o Paraguai de outro, alinhando-se ao imperador norte-americano, justamente quando Trump implode o multilateralismo, a Europa, Ásia e África intensificam sua integração e seus blocos por auto-proteção e o acordo Mercosul-União Europeia ganha, ou ganharia, oportunidade e tração.

Se havia dúvidas sobre a divisão, elas acabam de ruir na cúpula da Celac, que reuniu países da América Latina e do Caribe em Tegucigalpa, Honduras, nesta quarta-feira. A declaração final foi apoiada por 30 dos 33 países, sob a liderança, entre outros, do Brasil. Quem ficou de fora? Argentina e Paraguai, além da sangrenta Nicarágua. Com um detalhe: os três presidentes não foram nem enviaram seus chanceleres, foram representados pelo terceiro escalão.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sessão de Abertura da 9ª Reunião de Cúpula de Chefes de Estado da Celac Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

É por isso que o presidente Lula, que estava lá e mandou recados para Trump e Elon Musk, articula a integração e a resistência de América Latina e Caribe, muito além das fronteiras do Mercosul. A única reunião bilateral de Lula, aliás, foi com Cláudia Sheinbaum, do México, que faz do limão uma limonada, ao equilibrar bem a indignação e uma negociação efetiva com os EUA, conquistar forte apoio dos mexicanos e disparar nas pesquisas internas. Lula disse que o comércio do Brasil com a Celac foi de US$ 87 bilhões em 2024, maior do que com os EUA, e destacou a importância que os blocos regionais assumem num momento de crise internacional como a atual, citando a Asean (10 países da Ásia), União Europeia (27) e União Africana (55). Não custa lembrar que foi nos primeiros governos Lula que o Brasil abriu embaixadas e promoveu forte aproximação com o Caribe – onde, como no resto do mundo, cada país, não importa tamanho e PIB, é um voto.

O Brasil já ganhou uma de Argentina e Paraguai ao unir América Latina e o Caribe contra o candidato paraguaio à Organização dos Estados Americanos (OEA), que tinha o apoio dos EUA e acabou renunciando à disputa. Agora, a declaração da Celac propõe uma candidatura única para o lugar do português António Guterres na Secretaria Geral da ONU. No discurso, Lula defendeu que, além de ser da região, deveria ser uma mulher. Nos bastidores, o nome é o de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e ex-alta comissária de Direitos Humanos da ONU.

Em maio, Lula vai participar justamente de uma reunião da Celac com a China, em Pequim, depois de passar por Moscou. Em junho, haverá reunião de cúpula do Caribe em Brasília e está prevista a ida de Lula a Paris. Em julho, Cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além das novas adesões), no Rio de Janeiro. Pairando acima de todas essas reuniões e todos esses movimentos, está a reação a Trump e sua escalada por hegemonia.

No discurso em Honduras, Lula fez um alerta às dezenas de países, ao destacar que “a ingerência de velhas e novas potências foi e é uma sombra” na América Latina e no Caribe, para alertar: “a liberdade e a autodeterminação são as primeiras vítimas de um mundo sem regras multilateralmente acordadas”. Leia-se: o mundo de Trump.

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