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Parceiros comerciais dos EUA correm para fechar acordos enquanto Trump se prepara para anunciar tarifas

Parceiros comerciais dos EUA correm para fechar acordos enquanto Trump se prepara para anunciar tarifas
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Source: O Globo | Original Published At: 2025-07-06 11:19:57 UTC

Key Points

  • Negociações intensas entre EUA e parceiros comerciais antes do prazo de 9 de julho
  • Trump menciona envio de cartas com novas tarifas para cerca de 12 países
  • Coreia do Sul, Índia, Vietnã e Japão entre os países em negociações críticas
  • Ameaças de retaliação comercial e impacto econômico global
  • Acordos já anunciados com Reino Unido e Vietnã

Os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos se apressaram no fim de semana para finalizar acordos comerciais ou pedir mais tempo, enquanto o presidente Donald Trump afirmou que notificará cerca de uma dúzia de países na segunda-feira sobre o novo nível de tarifas sobre suas exportações para os EUA.

— Assinei algumas cartas e elas serão enviadas na segunda-feira – provavelmente 12 — disse Trump a repórteres durante o fim de semana do feriado de 4 de julho, quando o país comemora o Dia da Independência, acrescentando que as mensagens envolvem “valores diferentes de dinheiro, diferentes níveis de tarifas e declarações um pouco diferentes.”

Ao ser questionado sobre quais países se tratava, ele respondeu:

— Tenho que anunciar isso na segunda-feira.

As declarações mais recentes de Trump sugerem que as negociações ainda estão em andamento e os acordos continuam difíceis de alcançar, a apenas três dias do prazo final de 9 de julho anunciado pelo governo dos EUA.

As cartas inicialmente deveriam ser enviadas em 4 de julho, com a data de imposição das tarifas marcada para 1º de agosto, segundo declarações anteriores de Trump. No entanto, autoridades dos EUA continuaram negociando ativamente durante o fim de semana do feriado, inclusive com Japão, Coreia do Sul, União Europeia, Índia e Vietnã.

Uma das táticas características de Trump em negociações é fazer ameaças unilaterais quando as conversas atingem estágios críticos, então não está claro se as cartas que ele mencionou são reais ou apenas uma estratégia para amedrontar parceiros comerciais ainda relutantes em oferecer concessões de última hora.

Após Trump anunciar um acordo com o Vietnã na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores do país afirmou que os negociadores ainda estavam coordenando com seus homólogos norte-americanos para finalizar os detalhes.

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Enquanto isso, esperava-se também a conclusão de um acordo provisório com a Índia, mas autoridades em Nova Délhi sinalizaram uma postura mais dura nos últimos dias, ameaçando impor tarifas sobre alguns produtos dos EUA em retaliação às tarifas mais altas de Washington sobre automóveis e seus componentes.

A Coreia do Sul, também preocupada com as tarifas sobre automóveis, discutiu com autoridades americanas a possibilidade de prorrogar o prazo como uma tentativa final de evitar aumentos tarifários.

No sábado, o ministro do Comércio sul-coreano, Yeo Han-koo, se reuniu, em Washington, com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Durante o encontro, Yeo propôs parcerias de manufatura e pediu a eliminação ou a redução de tarifas sobre produtos como automóveis e aço, segundo informou o ministério da Indústria da Coreia do Sul em comunicado divulgado neste domingo.

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A Coreia do Sul é um aliado estratégico dos EUA e um importante polo de manufatura de automóveis, semicondutores e baterias. A imposição de tarifas amplas de 25% agravaria ainda mais uma economia já enfraquecida pelo consumo doméstico lento. Em maio, o banco central reduziu a projeção de crescimento do PIB deste ano de 1,5% para 0,8%.

A Coreia do Sul é um importante aliado dos EUA e um grande polo de manufatura de automóveis, semicondutores e baterias — Foto: SeongJoon Cho/Bloomberg

Numa tentativa de última hora para evitar a entrada em vigor das tarifas, Yeo apresentou uma proposta de cooperação industrial “mutuamente benéfica” para reforçar ainda mais as cadeias de suprimentos entre os dois países. Ele enfatizou que qualquer acordo final deve incluir o fim ou a limitação das tarifas sobre automóveis, aço e outros produtos.

“As duas partes concordaram que vêm conduzindo negociações de boa fé há um mês, desde a posse do novo governo sul-coreano, e que é necessário reduzir ainda mais as divergências”, diz o comunicado, acrescentando que os representantes também discutiram a extensão do prazo para novas negociações.

Essa foi a segunda viagem de Yeo aos EUA em cerca de uma semana, um sinal de que Seul está intensificando seus esforços para recuperar o tempo perdido nas negociações comerciais, após a eleição emergencial do presidente Lee Jae Myung no mês passado, em substituição ao deposto Yoon Suk Yeol. O breve decreto de lei marcial de Yoon, no final do ano passado, desencadeou a pior crise política no país em décadas e resultou em um vácuo de liderança.

Neste domingo, o conselheiro de segurança nacional de Lee, Wi Sung-lac, partiu para Washington para se reunir com o secretário de Estado Marco Rubio, que também atua como conselheiro de segurança nacional interino. Antes de embarcar, Wi disse a repórteres que precisava aumentar seu envolvimento, pois as negociações estão em uma “fase crítica”. Ele afirmou que buscará organizar uma primeira cúpula entre Lee e Trump, além de discutir questões de segurança e outros assuntos bilaterais durante sua visita.

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Após conquistar uma importante vitória legislativa na semana passada e com o mercado de ações dos EUA em níveis recordes, as novas barreiras comerciais impostas por Trump correm o risco de reacender a preocupação dos investidores com uma nova e complexa rede de tarifas alfandegárias que precisarão ser pagas por importadores americanos.

Até agora, o governo Trump anunciou acordos com o Reino Unido e o Vietnã, além de ter firmado tréguas com a China, nas quais as duas maiores economias do mundo aliviaram tarifas retaliatórias e reduziram os controles sobre exportações.

A implementação inicial das chamadas tarifas recíprocas de Trump em 2 de abril gerou temores de uma recessão nos EUA e provocou quedas nos mercados. Isso levou a uma suspensão de 90 dias dessas tarifas, fixadas em 10%, até 9 de julho, para mais de 50 países-alvo.

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Além dos custos adicionais que as tarifas impõem às empresas dos EUA que compram produtos do exterior, os exportadores domésticos enfrentam a possibilidade de retaliação por parte de economias como a União Europeia.

Os Estados-membros da UE foram informados sobre o andamento das negociações na sexta-feira, após uma rodada de conversas em Washington na semana anterior, e foi dito que um acordo técnico em princípio estava próximo, segundo a Bloomberg News.

Enquanto isso, o primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba afirmou que o país está preparado para todos os cenários possíveis de tarifas. Em entrevista ao programa “Sunday News The Prime”, da Fuji TV, ele disse que o Japão — outro grande produtor de automóveis que tenta evitar as tarifas de Trump — está pronto para “manter uma posição firme” e defender seus interesses, antecipando todas as situações possíveis.

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O governo do Camboja, por sua vez, afirmou em um comunicado na sexta-feira que chegou a um acordo-quadro com os EUA, que será divulgado em breve, com o compromisso de continuar cooperando de forma próxima. Com 49%, a tarifa recíproca ameaçada contra o Camboja estava entre as mais altas impostas por Trump. A nação do Sudeste Asiático é uma exportadora significativa de têxteis e calçados para os EUA.

Na terça-feira da semana passada, Trump afirmou que não considerava adiar o prazo desta semana. Questionado sobre uma possível extensão das negociações, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse na quinta-feira que a decisão final caberá a Trump.

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