Dólar futuro salta 2,3% e Ibovespa futuro cai 2,4% após Trump tarifar Brasil em 50%
Source: InfoMoney | Original Published At: 2025-07-09 20:46:05 UTC
Key Points
- Tarifa de 50% sobre exportações brasileiras para EUA a partir de 1º/08/2025
- Ibovespa futuro cai 2,44% e dólar futuro sobe 2,30% após anúncio
- Impacto esperado na inflação e juros devido a repasse de custos por exportadores
- Setores de commodities e empresas com alta alavancagem serão mais afetados
No fim da tarde, Trump anunciou nesta quarta-feira que seu governo cobrará do Brasil uma tarifa de 50% sobre os produtos exportados aos Estados Unidos a partir de 1º de agosto
O anúncio de Donald Trump de taxar o Brasil em 50% teve impacto nos mercados futuros , que ainda negociavam quando o presidente dos EUA deu a declaração que abalou os ativos brasileiros nesta quarta-feira (9).
O Ibovespa futuro com vencimento em agosto de 2025 (INDQ25) fechou em queda de 2,44%, a 137.800 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento no mesmo mês teve salto de 2,30%, a 5.6115 pontos. O índice à vista havia fechado em queda de 1,31%, enquanto o dólar comercial encerrou a sessão desta quarta com alta de 1,06%, a R$ 5,50.
No fim da tarde, Trump anunciou nesta quarta-feira que seu governo cobrará do Brasil uma tarifa de 50% sobre os produtos exportados aos Estados Unidos a partir de 1º de agosto, em uma carta em que também reforçou seu apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Trump fez os comentários em uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente dos EUA tem criticado os países do grupo de nações emergentes Brics, do qual o Brasil é uma parte importante.
A carta de Trump diz que a tarifa de 50% será separada de todas as tarifas setoriais.
A expectativa é de continuidade da alta do dólar e queda da Bolsa.
Em análise, a Hike Capital ressaltou que, caso confirmadas as tarifas de 50%, deve-se observar, nesse primeiro momento, um impacto na inflação e nos juros.
“Dentre os principais produtos exportados pelo Brasil aos EUA, destacamos o petróleo, produtos petrolíferos e materiais relacionados, ferro e aço, café, chá, cacau, especiarias, carnes, vegetais, frutas, papel e celulose, dente outros”, avalia.
Neste cenário, parte das empresas exportadoras devem repassar uma parte das tarifas para o consumo interno, refletindo em um aumento nos preços/inflação.
A valorização do dólar deve ser vista como reflexo de um menor volume de exportação brasileira (e menor entrada de dólares na balança comercial), assim como devido à permanência dos juros americanos em patamares mais restritivos por um tempo ainda maior, devido às incertezas à frente do Federal Reserve.
Como consequência, deve-se observar um aumento da curva de juros, mas que deverá ser passageiro, dado que também iremos observar uma desaceleração na economia, compensando o aumento na inflação causada pelas tarifas. “Empresas ligadas às commodities e com alta alavancagem devem ser as mais penalizadas nos pregões seguintes da bolsa, devido a queda na projeção de seus resultados e maiores oscilações na cotação das commodities. Ressaltamos que a desaceleração da economia causada pelas tarifas poderá derrubar a curva de juros em vértices mais longos, mas ainda assim, causará bastante oscilação nos mercados”, avalia a Hike.