Brasil, China e Índia podem ser atingidos por sanções secundárias à Rússia, diz Otan
Source: Valor Econômico | Original Published At: 2025-07-15 16:43:24 UTC
Key Points
- Mark Rutte alerta Brasil, China e Índia sobre risco de sanções secundárias dos EUA por relações comerciais com a Rússia
- Trump ameaça impor tarifas de 100% sobre compradores de produtos russos se não houver acordo de paz na Ucrânia em 50 dias
- Brasil importou US$ 11 bilhões da Rússia em 2024, principalmente diesel, adubos e fertilizantes
- Trump já anunciou tarifas de 50% sobre o Brasil e proposta de 10% sobre países do Brics
- Senadores dos EUA tentam aprovar projeto de lei autorizando tarifas de até 500% contra países que negociam com a Rússia
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental) , Mark Rutte, alertou que Brasil , China e Índia poderão ser duramente atingidos por sanções secundárias dos Estados Unidos se continuarem a fazer negócios com a Rússia . O Brasil é grande importador de diesel e fertilizantes russos, e poderia ser afetado se Donald Trump cumprir a ameaça de punir financeiramente Moscou se Vladimir Putin não encerrar a guerra da Ucrânia em 50 dias.
Rutte fez o comentário após se reunir com senadores no Congresso americano. Na véspera, o secretário-geral da Otan esteve na Casa Branca com Trump, que ameaçou impor tarifas secundárias rigorosas de 100% sobre os compradores de produtos russos a menos que haja um acordo de paz na Ucrânia dentro do prazo.
“Meu incentivo a esses três países, particularmente, é se você mora agora em Pequim, ou em [Nova] Délhi, ou se você é o presidente do Brasil, talvez queira dar uma olhada nisso, porque isso pode atingi-lo com muita força”, disse o secretário da Otan.
“Portanto, por favor, façam uma ligação telefônica para Vladimir Putin e diga a ele que ele precisa levar a sério as negociações de paz. Pois, caso contrário, isso afetará o Brasil, a Índia e a China de forma maciça”, acrescentou.
As declarações de Rutte sinalizam como Trump pretende punir a Rússia caso Putin não desista da guerra. O presidente americano não deu detalhes sobre como aplicaria as sanções — e nem citou Brasil, China ou Índia no anúncio —, mas os três países mantiveram as importações de petróleo e derivados russos após a invasão da Ucrânia. Em 2024, o Brasil importou US$ 11 bilhões da Rússia, segundo dados do governo federal. A maior parte das compras brasileiras é de diesel, adubos e fertilizantes.
Esta não é a primeira ameaça feita por Trump aos membros do Brics, fundado por Brasil, Rússia, China e África do Sul. Durante a recente cúpula do bloco no Rio de Janeiro, o republicano afirmou que aplicaria uma taxa adicional de 10% sobre os países do Brics, acusando os governos de trabalharem para minar o status do dólar como moeda de reserva global.
Pouco depois, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre o Brasil, citando o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e uma suposta “censura” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas de tecnologia dos EUA.
Em paralelo, senadores democratas e republicanos tentam aprovar no Congresso um projeto de lei para autorizar Trump a impor uma tarifa de até 500% sobre países que mantenham negócios com o governo de Putin.
“Continuaremos a pressionar pelo projeto do senador [Lindsey] Graham e o meu contra a Rússia, com penalidades ainda mais duras para dissuadir Índia, China, Brasil e outros países de alimentar a máquina de guerra de Putin”, escreveu o senador democrata Richard Blumenthal em uma postagem no X.
O governo russo afirmou que as declarações de Trump são sérias e existem análise. “Certamente precisaremos de tempo para analisar o que foi dito em Washington. E quando o presidente Putin considerar necessário, ele certamente comentará”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Outras importantes figuras em Moscou, no entanto, minimizaram as ameaças. O ex-presidente Dmitry Medvedev, hoje vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, afirmou que o país não se importa com o “ultimato teatral” de Trump.