Governo rejeita diálogo com Otan sobre sanções secundárias
Source: Revista Oeste | Original Published At: 2025-07-17 20:07:04 UTC
Key Points
- Governo brasileiro rejeita diálogo com a Otan sobre sanções secundárias
- Otan alertou Brasil, China e Índia sobre possíveis sanções por relações comerciais com a Rússia
- Ministro Mauro Vieira classifica declaração da Otan como 'totalmente descabida'
- Coincidência entre declaração da Otan e tarifas de Trump sobre produtos brasileiros
- Vieira nega influência dos EUA na posição da Otan, atribuindo a declaração a decisão pessoal de Mark Rutte
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a advertência de penalidades feita pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a países que negociam com a Rússia como “totalmente descabida”. O chanceler ressaltou que o governo Lula não pretende negociar com a entidade nesse contexto.
Na terça-feira 15, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que Brasil, China e Índia poderiam sofrer sanções secundárias caso continuassem mantendo relações comerciais com a Rússia. Os três países, junto com a própria Rússia, integram o grupo Brics.
“Dialogar com a Otan? Não”, disse Vieira em entrevista à emissora de TV Globonews, nesta quinta-feira, 17. “Não fazemos parte. A Otan, é preciso que fique claro, é uma organização militar. O Brasil não é parte nem os outros dois países que o secretário-geral mencionou.”
Segundo Vieira, a declaração de Rutte é “totalmente descabida, fora de propósito e fora da área de competência dele”.
Declaração da Otan coincide com imposição de tarifas de Trump
As declarações de Rutte coincidem com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros vendidos no mercado norte-americano a partir de agosto.
Indagado sobre possível influência dos EUA na posição da Otan, Vieira minimizou a hipótese. O chanceler brasileiro atribuiu a fala a uma decisão pessoal de Rutte.
“As questões comerciais, cada país — e o Brasil faz assim — trata bilateralmente ou na OMC [Organização Mundial do Comércio]“, afirmou Vieira. “Depois, esse tipo de ameaça, não acho que corresponda a uma ameaça comercial dentro de uma organização militar.”
Sanções secundárias
A Otan reúne 31 países da América do Norte e da Europa, com objetivo voltado à segurança coletiva dos membros.
Sanções secundárias consistem em penalizar países ou empresas que negociam com países já sancionados, como a Rússia. Vieira ironizou a ameaça e sugeriu que o chefe da aliança pode desconhecer o caráter estritamente militar da organização.
“Talvez ele esteja mal-informado, não saiba que é uma organização militar, não tem alcance comercial”, disse o chefe do Itamaraty. “Sobretudo porque, se for assim, países membros da Otan que são membros da União Europeia — e que comerciam com a Rússia e compram grandes quantidades de petróleo e de gás — teriam que ser também sancionados.”