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Haddad admite cenário de tarifaço no dia 1º e responsabiliza Bolsonaros por “sanção”

Haddad admite cenário de tarifaço no dia 1º e responsabiliza Bolsonaros por "sanção"
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Source: Valor Econômico | Original Published At: 2025-07-21 12:10:39 UTC

Key Points

  • Haddad reconhece possibilidade de tarifa de 50% dos EUA entrar em vigor em 1º de agosto
  • Atribui a medida à relação entre Trump e Bolsonaro
  • Brasil mantém negociações ativas com EUA através de canais diplomáticos
  • Menciona que outros países como México e Canadá também enfrentam pressões comerciais dos EUA
  • Relaciona aumento de tarifas a fatores políticos, não econômicos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira que o Brasil não vai sair da mesa de negociação com os Estados Unidos e chamou a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros de “verdadeira sanção”. Atribuiu ainda à “relação individual entre Trump e Bolsonaro” o motivo do tarifaço.

“A determinação do presidente Lula é que nós não demos nenhuma razão para sofrer esse tipo de sanção, verdadeira sanção que nós estamos passando. A orientação dele é o seguinte: vice-presidente [Geraldo] Alckmin, ministério da Fazenda, Itamaraty, estamos engajados permanentemente”, disse Haddad em entrevista à Rádio CBN.

Ele disse que a equipe econômica está desenhando vários cenários possíveis para o desenrolar da contenda, incluindo a possibilidade de falta de avanço. “Podemos chegar no dia 1º sem resposta, esse é um cenário que não podemos desconsiderar”, comentou, em referência à data que o tarifaço deve começar a vigorar. “Mas esse não é o único cenário. A gente tem que considerar o efeito (das tarifas) também para os EUA.”

O ministro ainda destacou que o governo brasileiro mandou uma segunda carta proposta aos Estados Unidos na semana passada, em acréscimo a que foi enviada em maio, que ainda não foi respondida. “Vamos insistir na negociação comercial para que nós possamos encontrar um caminho de aproximação dos dois países que não tem razão nenhuma para estarem distanciados”, disse.

Haddad disse que o governo brasileiro já se reuniu com autoridades americanas neste ano mais de dez vezes e lembrou que esteve com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent discutindo a tarifa de então, que era de 10% e que ele estava aberto ao diálogo.

“O que mudou de dois meses para cá para que uma autoridade dos Estados Unidos estivesse aberta a discutir uma redução da tarifa de 10% e no meio do caminho, você acorda com a notícia de que 10% passaram para 50%?”, disse.

O ministro também afirmou que o diálogo está sempre aberto com o encarregado de negócios dos Estados Unidos, Gabriel Escobar. No entanto, Haddad destacou que o encarregado de negócios ainda não procurou autoridades brasileiras para falar sobre as cartas de propostas que foram enviadas aos Estados Unidos.

“O Itamaraty e o Mdic estão à frente das negociações e não param de provocar. Dá a impressão que nós estamos parados aguardando o dia 1º, mas isso não está acontecendo”, afirmou Haddad.

De acordo com o ministro, o Brasil mantém uma comunicação formal com o governo dos Estados Unidos por meio dos canais diplomáticos apropriados. “Não faz sentido divulgar uma comunicação oficial por meio de redes sociais. Isso está sendo feito pelos canais competentes, como deve ser”, afirmou.

Haddad também reforçou que o governo brasileiro não pretende trocar farpas por mensagens eletrônicas. “Temos canais diplomáticos plenamente abertos, que estão cumprindo seu papel.”

Haddad enfatizou que o Brasil “não está sozinho” na questão comercial com os Estados Unidos, citando outros países, como México e Canadá, além de regiões como a Ásia e a Europa. Mas destacou que a situação política brasileira é um fator determinante no caso. “Nós temos uma particularidade, que é o fato que tem uma força política de extrema-direita no Brasil que está concorrendo contra os interesses nacionais”, afirmou. “Temos um problema no Brasil que que é uma família (Bolsonaro) que está concorrendo contra os interesses do Brasil.”

Haddad afirmou que o Brasil tem que estar “muito consciente” do que está acontecendo nesse tema “em todas as suas dimensões” e afirmou que o momento é de unidade em defesa do interesse nacional.

O ministro da Fazenda destacou que mesmo o Canadá, que é um país vizinho dos Estados Unidos, está sofrendo “drasticamente” com as imposições dos Estados Unidos.

Ao tratar dos Brics, grupo formado por países emergentes e fundado por Brasil, Rússia, Índia e China, Haddad disse que o comércio da China e Índia com a Rússia aumentaram muito mais do que o Brasil com a Rússia.

“As tarifas sobre Índia e China são menores do que em relação ao Brasil. Veja que aqui, por mais que se procure explicação pelo que aconteceu, um déficit que não existe dos Estados Unidos com o Brasil, na verdade os Estados Unidos são superavitários em relação a nós. O que sobra na verdade para manutenção da tarifa dos 50%? A questão individual da relação do Trump com o ex-presidente [Jair] Bolsonaro”, disse o ministro.

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