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Cobiça de Trump por terras raras foi anunciada em abril ao lobby da mineração, confirma Jungmann

Cobiça de Trump por terras raras foi anunciada em abril ao lobby da mineração, confirma Jungmann
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Source: Revista Fórum | Original Published At: 2025-07-28 13:17:00 UTC

Key Points

  • Governo Trump manifestou interesse em minerais estratégicos brasileiros (lítio, nióbio e terras raras) durante reunião em abril com o Ibram.
  • Raul Jungmann confirmou que EUA pressionam por acesso a recursos minerais, contrariando posição do governo Lula.
  • Negociações paralelas entre lobby da mineração e EUA ocorrem fora do governo federal, visando resolver conflito tarifário.
  • Brasil detém 23% das reservas globais de terras raras, enquanto China possui 49%.
  • Exportações minerais brasileiras são majoritariamente direcionadas à China (70%).

Ex-ministro da Defesa no governo golpista de Michel Temer (MDB), Raul Jungmann, que está à frente do lobby transnacional da mineração como presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), confirmou que o governo Donald Trump falou dos interesses na riqueza mineral brasileira em abril, quando as sanções ao país sequer tinham entrado em pauta.

Segundo Jungmann, a cobiça de Trump pelas terras raras foi sinalizada em reunião da cúpula do Ibram em abril com a embaixada dos EUA no Brasil, que expôs a insatisfação das tratativas com o governo Lula sobre o tema.

“Em abril, já falavam no interesse de parcerias com o Brasil na área mineral. Nesta reunião [no dia 23/5], tornou-se bastante claro o interesse de minerais críticos estratégicos. Dissemos que a Constituição brasileira determina que o subsolo pertence à União, essa negociação deveria ser travada com o governo federal”, disse o presidente do Ibram em entrevista ao Portal Metrópoles.

Jungmann, que tem como vice-presidente do Ibram o general Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa no governo Jair Bolsonaro (PL), foi o primeiro a anunciar, em entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira (24), as reais intenções de Trump na guerra comercial declarada ao Brasil.

Apresentado apenas como diretor-presidente, Jungmann disse ao principal telejornal do clã Marinho, dono da Globo, que o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, declarara em reunião à entidade “que os Estados Unidos também querem acesso a minerais estratégicos para o setor tecnológico, riquezas do solo brasileiro como o lítio e o nióbio”.

Horas antes, o mesmo Escobar já teria revelado a pauta sobre a exploração dos chamados elementos de terras raras (ETRs) no Brasil na reunião com o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), que foi colocado por Lula à frente das negociações com o governo Trump e o setor empresarial brasileiro.

Ao Metrópoles, Jungmann confirmou que o lobby da mineração, que representa diversas empresas transnacionais que atuam no Brasil, negocia uma saída paralela ao governo Lula em relação ao tarifaço de Trump e a exploração do subsolo brasileiro.

“Estamos discutindo se nós vamos até lá, ou se eles viriam até aqui, a depender de contratos a ser feito. É para sair dessa situação de perde-perde, passar para uma situação que seja boa e positiva para o setor privado de lá e de cá. É basicamente essa a conversa que nós tivemos com ele”, disse, sobre a reunião com Escobar.

O ex-ministro de Michel Temer, que é sócio do general Sergio Etchogeyn em outro instituto de lobby, ainda alfinetou o vice-presidente, Geraldo Alckmin, que está à frente das tratativas pelo governo.

“O governo não avançou nada em quesito de qual estratégia pretende utilizar. O Geraldo agradeceu as informações, mas se guardou para definir no âmbito do governo”, afirmou.

A ânsia pela perfuração de novos poços de petróleo – “drill, baby, drill” (“perfure, baby, perfure”) – e a cobiça pela exploração dos 17 elementos químicos das terras raras, essenciais para a transição energética, são uma obsessão de Trump desde a campanha presidencial e revelam o desejo dos EUA de manter sua hegemonia em um mundo em mudança, com a iminente exaustão dos combustíveis fósseis.

Em 2025, o relatório U.S. Mineral Commodity Summaries, do Serviço Geológico dos EUA (USGS), apontou China e Brasil nos primeiros lugares em reservas de terras raras no mundo. A China, em primeiro lugar, concentraria até 49% das reservas globais de ETRs (cerca de 44 milhões de toneladas), e o Brasil, 23% — o segundo lugar mundial —, com cerca de 21 milhões de toneladas.

Atualmente, cerca de 70% das exportações minerais brasileiras vão em direção ao mercado chinês. A indústria lidera com a exportação de ferro, mas também envia nióbio, bauxita e manganês – saiba mais sobre as Terras Raras.

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