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Lula articula frente internacional contra tarifaço

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Source: ICL Notícias | Original Published At: 2025-08-15 19:30:00 UTC

Key Points

  • Lula organiza videoconferência com líderes do Brics e Europa para discutir tarifas dos EUA
  • Tarifa de 50% dos EUA sobre exportações brasileiras deteriora relações diplomáticas
  • Brasil apresenta relatório técnico à OMC sobre meio ambiente, propriedade intelectual e regulação financeira
  • Pix, combate ao desmatamento e aceleração no registro de patentes são pontos sensíveis nas negociações
  • Revogação de vistos de brasileiros ligados ao Mais Médicos agrava a crise diplomática

O presidente Lula (PT) prepara uma videoconferência com líderes do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e de países europeus para discutir o impacto das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, segundo reportagem do jornal O Globo.

O movimento do presidente Lula tem como pano de fundo a defesa do multilateralismo e a tentativa de articular uma reação coordenada à ofensiva comercial liderada pelo presidente Donald Trump.

Lula já entrou em contato com os presidentes da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; e com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. A próxima etapa inclui ligações para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. França e Alemanha também devem participar, representadas por Emmanuel Macron e Friedrich Merz, respectivamente.

A reunião, contudo, ainda depende da conciliação de agendas e fusos horários distintos, mas, segundo fontes do Planalto, há interesse dos interlocutores em avançar com o diálogo.

Lula quer tratar da tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros

Desde 9 de julho, quando Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre parte das exportações brasileiras, as relações entre Brasil e EUA se deterioraram. O governo Lula recorreu à OMC (Organização Mundial do Comércio) e tenta negociar diretamente com Washington, mas o diálogo tem sido travado.

Trump condicionou publicamente a revisão da tarifa à suspensão de investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) — o que foi rechaçado pelo governo brasileiro, que busca manter as tratativas no campo estritamente comercial.

Em paralelo, o Brasil prepara um relatório técnico para os EUA com informações sobre práticas nas áreas de meio ambiente, propriedade intelectual, combate à corrupção e regulação financeira. A medida busca responder à investigação aberta pelos americanos com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que pode resultar em novas sanções.

Pix, patentes e desmatamento

Entre os pontos sensíveis do relatório, está o sistema de pagamentos Pix, que entrou no radar das autoridades comerciais dos EUA. A resposta brasileira argumentará que o Pix ampliou o acesso bancário e favoreceu os negócios, sem prejudicar empresas americanas.

Também serão destacadas ações contra o desmatamento e a promessa de acelerar o registro de patentes de medicamentos, hoje criticado pelos EUA por sua morosidade. A meta é reduzir o prazo atual de até sete anos para dois anos até 2026.

Escalada diplomática e riscos de ruptura

A crise diplomática ganhou novos contornos com a revogação de vistos de dois brasileiros que participaram do programa Mais Médicos: Mozart Sales, assessor do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, coordenador da COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). A justificativa americana foi o combate ao “trabalho forçado do regime cubano”.

A medida é vista no Planalto como provocativa. Segundo Celso Amorim, principal conselheiro internacional de Lula, trata-se de uma “tentativa de induzir o Brasil a uma reação desproporcional” que justificaria sanções mais duras por parte dos EUA.

Apesar da crescente tensão, o governo brasileiro descarta, por ora, medidas como a expulsão de diplomatas ou a convocação da embaixadora brasileira em Washington. O foco segue na construção de uma frente diplomática e econômica internacional, mesmo diante do que fontes classificam como “uma corda sendo esticada” por Washington.

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