‘Turbulência desnecessária’, diz Lula ao lado de chineses sobre tarifaço: ‘Quem quiser, que saia’
Source: R7 | Original Published At: 2025-08-15 20:56:39 UTC
Key Points
- Lula critica tarifas dos EUA como 'turbulência desnecessária' e defende imagem do Brasil
- Destaca crescimento do comércio Brasil-China (US$ 160 bilhões) frente ao comércio com EUA (US$ 80 bilhões)
- Afirma que empresas que quiserem sair do Brasil 'que saiam', mas país está aberto a novos investidores
- Enfatiza importância do multilateralismo e negociações comerciais sob liderança do vice Alckmin
- Associa desenvolvimento brasileiro à cooperação com países do Sul Global e BRICS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (15) que o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros é uma ‘turbulência desnecessária’.
Ao lado de empresários chineses no interior de São Paulo, o petista destacou o comércio Brasil-China, ao compará-lo às trocas econômicas brasileiras com os EUA. As tarifas passaram a valer na quarta-feira (6) da semana passada.
Lula declarou que o anúncio da taxação, feito por Trump no início de julho, ocorreu ‘depois de um momento quase que de provocação’. As primeiras tarifas do republicano ao Brasil, de 10%, foram apresentadas em abril.
‘A ideia de passar para o mundo que o Brasil é um país horrível para negociar não é verdade. E eu não posso admitir que um presidente de um país do tamanho dos EUA possa contar a quantidade de inverdades que ele tem contado sobre o Brasil’, criticou o petista, durante inauguração da fábrica da montadora chinesa GWM, em Iracemápolis (SP).
‘O Brasil não é um país rico nem tem o PIB dos norte-americanos ou da China. Mas temos um povo que merece respeito, que tem orgulho de ser o que é e que só pode ser melhor se a gente tiver coragem de resistir às ofensas que fazem a nós’, declarou Lula.
Ao comentar a saída de empresas do Brasil, como a montadora norte-americana Ford, em janeiro de 2021, o petista afirmou que ‘quem quiser sair, que saia’. ‘Quem quiser vir, estaremos de braços e coração abertos esperando’, acrescentou.
Lula voltou a pedir respeito. ‘Estamos vivendo uma situação que não precisaríamos viver. O Brasil gosta de negociar, se tem uma coisa que o Brasil sabe fazer é negociar’, destacou, ao elogiar a atuação do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comanda as negociações brasileiras com os Estados Unidos e lidera as conversas com empresários brasileiros — por determinação de Lula.
‘Não dá para aceitar a criação de uma imagem mentirosa contra um país como o Brasil, que não tem contencioso no mundo’, reforçou o presidente.
Comércio com a China
Lula aproveitou para destacar o comércio entre Brasil e China, em detrimento da relação brasileira com os EUA.
‘É importante que as pessoas saibam que o comércio do Brasil com a China hoje é simplesmente de U$S 160 bilhões, contra US$ 80 bilhões do comércio nosso com os EUA’, apontou.
O presidente atrelou, ainda, a relação do Brasil com os demais países do Sul Global, representados, sobretudo, pelo Brics, à necessidade de desenvolvimento.
‘Não temos orgulho de ser pobres. Queremos crescer, nos desenvolver, ter acesso a todas as informações possíveis que a ciência e tecnologia nos dá e a inteligência artificial nos permite. E é isso que faz com que algumas pessoas comecem a ficar preocupadas com o crescimento daqueles que eram tratados como se fossem invisíveis’, acrescentou.