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Da ameaça à ação: veja o que vem pela frente com o ‘tarifaço’ de Donald Trump

Da ameaça à ação: veja o que vem pela frente com o 'tarifaço' de Donald Trump
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Source: O Globo | Original Published At: 2025-02-01 14:20:23 UTC

Key Points

  • Tarifas de 25% sobre Canadá e México e 10% sobre China entram em vigor
  • Analistas preveem aumento global de custos e reorganização do comércio
  • Trump ameaça tarifas adicionais contra UE e países do Brics
  • Brasil pode sofrer impacto indireto por aumento de custos e retalhações
  • Canadá e México planejam medidas retaliatórias contra produtos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , finalmente abriu seu “tarifaço”, o primeiro choque comercial de seu governo. Ele afirmou ontem que vai impor sobretaxas a uma série de produtos, como chips, petróleo e metais. E avisou que a União Europeia (UE) está na mira.

Hoje entram em vigor as tarifas de 25% sobre importações de Canadá e México e as de 10% para a China — além das que já são aplicáveis hoje. Para analistas, essas medidas devem elevar os custos no Brasil e no mundo, forçando uma reorganização do comércio global.

— Faremos produtos farmacêuticos e remédios etc., todos os tipos de remédios e produtos farmacêuticos. E faremos, muito importante, aço, e também faremos chips e coisas associadas a chips — disse Trump na Casa Branca. — Vamos colocar tarifas sobre chips. E sobre óleo e gás. Isso vai acontecer em em breve, acho que por volta de 18 de fevereiro. E vamos colocar muitas tarifas sobre aço.

Trump disse ainda que não há nada que Canadá, México e China possam fazer para evitar as tarifas — que ele classifica como uma resposta ao fato de esses países não impedirem a entrada de imigrantes e drogas nos EUA. O presidente americano disse ainda que logo fará “algo muito substancial” em tarifas contra a UE:

— Se vou impor tarifas sobre a União Europeia? Você quer uma resposta honesta ou eu lhe dou uma resposta política? Com certeza. A União Europeia tem nos tratado de forma terrível.

Menos comércio global

Com relação ao petróleo, Trump acenou com tarifas inferiores às de 25% para Canadá e México:

— Acreditamos que devemos reduzir para 10%.

O Instituto Peterson de Economia Internacional calcula que só as tarifas de 25% contra o México e o Canadá reduziriam em cerca de US$ 200 bilhões o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA até o fim do governo Trump. Já os 10% sobre produtos da China reduziriam o PIB em US$ 55 bilhões no mesmo período.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse que o Canadá está pronto para responder: “uma resposta significativa, enérgica mas justa, imediata.” — Foto: Allen McInnis/Bloomberg

O presidente executivo da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, avalia que o mundo e o Brasil vão enfrentar aumento de custos, já que a taxação de insumos tornará os produtos exportados pelos Estados Unidos mais caros.

Segundo ele, 85% da importação brasileira são de produtos manufaturados vindos da China, EUA e UE, nessa ordem.

Post na Truth Social: Trump ameaça impor tarifas de 100% se países do Brics tentarem substituir o dólar

— Vão estrangular a economia mexicana e encarecer os custos para a indústria americana. Os Estados Unidos importam muito do México, principalmente bens intermediários (insumos para indústria). E não é fácil substituir fornecedor de um dia para o outro. Vai acabar estrangulando também a indústria americana — diz Lia Valls, pesquisadora de comércio exterior da Fundação Getulio Vargas.

Com relação à promessa de tarifas sobre a UE, Castro diz que isso vai promover uma “rearrumação no comércio mundial”. Com as exportações e importações mais caras, a tendência também reduzir o consumo dentro dos países, com queda no ritmo de crescimento do comércio global.

Ele avalia ainda que taxar os produtos da UE é uma decisão política que visa “equilibrar o jogo” e impedir que o bloco atraia investimentos globais, por ter mais vantagens comparativas em relação a outros parceiros dos Estados Unidos.

Lia espera uma redução no comércio global, já que a UE pode retaliar e “sobrar taxas para o Brasil também”.

Quanto ao aço, Castro lembra que o produto já é sobretaxado e há uma sobreoferta da China. Ele não espera uma taxação de commodities brasileiras, principalmente porque há poucos fornecedores com escala para atender ao maior importador do mundo:

— Mas vamos esperar para ver o que a China vai fazer (em relação às tarifas). A realidade é que haverá aumento de custo para todos.

Pedro Brites, professor na Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas, lembra que Trump já citou nominalmente o Brasil como um país que taxa produtos americanos, além do Brics (bloco de nações emergentes), por causa da ideia de substituir o dólar em suas transações comerciais:

Se Trump de fato impuser tarifas a produtos brasileiros, a melhor estratégia é reagir em bloco, com o Mercosul, apesar de o argentino Javier Milei ser alinhado a Trump, diz Brites:

— O coletivo facilita o processo de barganha. O problema é a falta de coesão no Mercosul com Milei.

Tesla na mira do Canadá

Os países atingidos reagiram. No Canadá, o governo de Justin Trudeau já elaborou uma lista de produtos dos EUA, no valor de aproximadamente US$ 105 bilhões, que poderão ser alvo de tarifas, como café da Louisiana e bourbon do Kentucky. E, segundo fontes, não se descartam impostos sobre exportações de commodities estratégicas para os EUA, como petróleo e urânio.

Já a ex-ministra de Finanças canadense Chrystia Freeland defendeu uma retaliação com tarifas sobre os carros da Tesla, a fim de punir Elon Musk, um dos “amigos bilionários” de Trump:

— O Canadá precisa ameaçar taxar em 100% todos os carros da Tesla e em 100% os vinhos, cervejas e destilados dos EUA — disse Chrystia ao jornal Financial Times. — Ao mirar em produtos de estados republicanos que votaram em Trump e aqueles feitos pelos seus amigos bilionários, o Canadá pode exercer uma pressão política inescapável sobre a Casa Branca.

Trudeau também disse que o Canadá está pronto para responder: “uma resposta significativa, enérgica mas justa, imediata.”

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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse que as tarifas anulariam o pacto de livre comércio da América do Norte. E afirmou que seu governo tem “um plano A, um plano B e um plano C” para as medidas.

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