Com líderes de Irã, Rússia e China no Rio para os Brics, o risco é o Brasil se meter onde não deve
Source: Estadão | Original Published At: 2025-06-23 23:42:24 UTC
Key Points
- Brics criados como resistência ao hegemonia norte-americana
- Presença de Irã, Rússia e China no Rio para cúpula
- Risco de o Brasil interferir em conflitos geopolíticos sensíveis
- Posicionamentos divergentes entre Rússia (ação) e China (retórica)
- Nota conjunta do Brasil condenando violações ao direito internacional
Os Brics foram criados por Brasil, Rússia, Índia e China como resistência a um “mundo unipolar”, ou seja, à hegemonia norte-americana. A eles se uniram a África do Sul e, em janeiro de 2024, mais cinco países, inclusive o Irã. A reunião do Rio nada tem oficialmente com o atual conflito, mas o Irã estará entre parceiros que se opõem aos ataques de EUA e Israel.
Putin declarou que a Rússia está pronta para “ajudar” o Irã e recebia o chanceler iraniano em Moscou, antes de Trump anunciar o cessar-fogo feito e enquanto os bombardeios continuavam dos dois lados. Neste ambiente, segundo experientes diplomatas brasileiros, o papel da China se torna ainda mais relevante.
Se a Rússia deu um passo além, a China ficou na retórica, ao acusar o ataque americano ao Irã de “violar gravemente os propósitos e princípios da Carta da ONU” e pedir cessar-fogo “imediato e incondicional”. Em nota, o Brasil foi na mesma linha, condenando “com veemência” as ações de Israel e EUA como “violação da soberania do Irã e do direito internacional” e alertando para o “grave risco de contaminação radioativa e desastres ambientais de larga escala”.