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Funcionários do IBGE divulgam nota de repúdio a mapa-múndi invertido de Pochmann

Funcionários do IBGE divulgam nota de repúdio a mapa-múndi invertido de Pochmann, alvo de memes
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Source: O Globo | Original Published At: 2025-05-08 23:35:24 UTC

Key Points

  • Funcionários do IBGE repudiam o novo mapa-múndi invertido lançado pela presidência do instituto
  • Manifesto sindical critica danos à credibilidade institucional e violação de princípios técnicos
  • Mapa foi divulgado durante a presidência brasileira do Brics e Mercosul e antes da COP30
  • Debate sobre cartografia e poder ressurge, destacando questões ideológicas por trás das representações
  • IBGE defende o mapa alegando pluralidade de perspectivas cartográficas válidas

A divulgação da nova edição do mapa-múndi “invertido” pelo IBGE desagradou a funcionários do instituto. A Coordenação do Núcleo Sindical Chile – ASSIBGE/SN, que representa parte dos trabalhadores, divulgou um longo comunicado intitulado “Manifesto pela Integridade Técnica do IBGE”, no qual repudia o lançamento e se diz “em defesa da ciência, da razão institucional e do Brasil real”.

O novo mapa foi divulgado pelo presidente do IBGE, Márcio Pochmann, em seu perfil no X. Segundo ele, o lançamento ocorre no ano em que o Brasil tem posição de destaque e participação ativa em fóruns internacionais, ao presidir o Brics e o Mercosul, além de sediar a COP 30, que ocorrerá em Belém, em novembro deste ano.

Os servidores se dizem preocupados com os prejuízos à imagem do instituto. Redes sociais foram tomadas por comentários críticos e irônicos, além de uma série de memes ridicularizando a iniciativa e ataques de opositores políticos do governo Lula. Publicações nas redes também põem em dúvida a integridade de dados do IBGE.

Uma fonte ouvida pelo GLOBO informou que houve grande insatisfação da área técnica com a divulgação do mapa no mesmo dia em que o IBGE apresentou os números de um grande levantamento de dados socioeconômicos, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C).

O texto divulgado pelo sindicato diz que o mapa em que o Brasil aparece “artificialmente no topo e ao centro do mundo” é “um gesto sem respaldo técnico reconhecido pelas convenções cartográficas internacionais” e argumenta que a iniciativa da direção do instituto “em vez de informar, distorce; em vez de representar a realidade com rigor, cria uma encenação simbólica que compromete a credibilidade construída pelo IBGE ao longo de décadas de trabalho sério, imparcial e respeitado globalmente”.

O comunicado afirma que “ilusões gráficas” não são suficientes para combater as graves mazelas que o Brasil ainda enfrenta, como desigualdade estrutural, insegurança, informalidade e perda de competitividade. “O que se vende como símbolo de autoestima nacional esconde um paradoxo desconfortável”, diz o texto, que enumera outras decisões polêmicas da atual gestão do IBGE.

O instituto vive uma tensão constante entre o seu atual presidente, Márcio Pochmann, e os funcionários, que já fizeram manifestações pedindo o seu afastamento. A principal queixa é de autoritarismo e de decisões que podem comprometer a credibilidade do órgão oficial de estatística do país.

“Não há desculpa técnica, jurídica ou pedagógica para esse tipo de prática. Nenhum país se torna mais respeitado por estar no centro de um papel. A grandeza internacional se conquista com políticas públicas consistentes, instituições confiáveis e dados transparentes — não com encenações visuais”, diz outro trecho. “Transformar a cartografia oficial do Estado em gesto de vaidade simbólica é oferecer à população um consolo ilustrado, quando o que ela precisa é verdade, responsabilidade e seriedade.”

O texto alega que o mapa viola princípios da administração pública, como a finalidade administrativa, a impessoalidade e a moralidade administrativa ao empregar recursos públicos na produção de material a serviço de “narrativas de governantes ou gestões” em vez de atender aos interesses da sociedade. “O IBGE existe para produzir informação técnica e objetiva, não material simbólico ou político”.

O sindicato ainda argumenta que a iniciativa “também fere o princípio da eficiência, pois a adoção de padrões gráficos não reconhecidos confunde a educação, prejudica comparações internacionais e deslegitima produtos oficiais”.

E finaliza: “A gestão atual do IBGE vem falhando, repetidamente, em proteger o valor técnico e a integridade institucional do órgão. O IBGE não pertence a pessoas. Pertence ao Estado, à sociedade e ao futuro. O Brasil não precisa estar no centro do papel. Precisa estar no centro da honestidade técnica, da responsabilidade pública e do compromisso com a verdade. Por isso dizemos, com serenidade firme: não ao mapa da vaidade. Sim à ciência, à integridade e à maturidade institucional.”

Em nota divulgada à imprensa, o IBGE justifica a publicação do novo mapa mencionando uma nota técnica que o acompanha e que argumenta que “a maior parte do mundo está acostumada a ver a América do Norte no Norte e a América do Sul no Sul, mas essa representação não é a única possível e nem a única que foi registrada durante a história”.

“Não existe uma razão técnica para colocar os pontos cardeais nas direções convencionais e, portanto, a representação tradicional é tão correta quanto a representação invertida”, disse o órgão.

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