✨ Fudan New IOGG Program Open!

2nd Round closes in Loading... !
View Details

Lula diz que pacote de ajuda de R$ 30 bi a afetados por tarifaço é ‘só o começo’

Source: Valor Econômico | Original Published At: 2025-08-12 21:44:31 UTC

Key Points

  • Lula anuncia linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas afetadas por tarifas dos EUA
  • Pacote inclui medidas de compras governamentais e conteúdo nacional
  • Governo avalia reciprocidade comercial contra os EUA
  • Busca por novos mercados para exportações brasileiras
  • Menção a diversificação comercial com França, Alemanha, Reino Unido, África do Sul e Mercosul
  • Críticas ao comportamento unilateral de Trump e menção ao BRICS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que vai assinar nesta quarta-feira (13) a medida provisória que cria o chamado plano de contingência, pacote elaborado pela equipe econômica que tem como objetivo reduzir os efeitos do “tarifaço” de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. A Secretaria de Comunicação do governo confirmou para as 11h30 a cerimônia de apresentação da proposta, que está sendo apelidada pela gestão petista de MP do “Brasil Soberano”.

Segundo Lula, a MP institui uma linha de crédito de R$ 30 bilhões destinado às empresas que tiveram prejuízos com a decisão americana e também prevê tanto medidas relacionadas às compras governamentais como também de conteúdo nacional.

“A linha de crédito de R$ 30 bilhões é o começo. Não pode colocar mais [recursos] se não se sabe quanto é [o impacto]. A linha de crédito será, sobretudo, para ajudar as pequenas empresas e também as grandes, que têm mais poder de resistência. Ninguém ficará desamparado com a taxação de Trump. Vamos garantir a preservação de empregos”, explicou Lula ao participar do programa “O É da Coisa”, com Reinaldo Azevedo, na rede BandNews.

“Haverá compras governamentais e conteúdo nacional no plano de contingência. Do ponto de vista econômico, estamos com certa tranquilidade em relação à taxação de Trump, apesar de termos o aço em situação delicada”, disse Lula.

Lula também voltou a sinalizar que, além do plano de contingência, seu governo está avaliando medidas de “reciprocidade” contra os Estados Unidos. Neste sentido, ele afirmou que a promessa não é mera “bravata”. “Estamos pensando no que vamos colocar como reciprocidade aos EUA. Não queremos fazer bravata, vamos medir as consequências ao povo brasileiro”, argumentou.

O presidente explicou também que, como resposta ao tarifaço, o governo petista vai procurar outros mercados para diversificar as exportações brasileiras. “Vamos procurar outros mercados para empresas afetadas pelo tarifaço. Quero ver relação que tenho com países para saber o que podemos comprar e vender. Precisamos ajudar empresários [brasileiros] a abrir novos mercados e incentivá-los a brigar pelos mercados”, acrescentou.

Na mesma entrevista, Lula também admitiu que o governo federal foi pego “de surpresa” com a taxação dos produtos brasileiros já que havia uma negociação com os Estados Unidos em curso. “Eu fui pego de surpresa porque na [época da] primeira taxação, de 10%, nós montamos uma equipe de negociação e fizemos dez reuniões com representantes do comércio dos EUA. Não veio resposta à carta do Brasil, do dia 16 de maio, e fomos pegos de surpresa com uma carta endereçada ao portal do Trump, uma carta ofensiva ao Brasil com algumas inverdades”, criticou o presidente.

Sobre o “tarifaço” em si, Lula alertou que a sobretaxa americana contra produtos brasileiros vai afetar os próprios americanos. “O povo americano não ficará impune e sofrerá consequências da taxação”, citou presidente. Apesar dessas críticas, Lula também voltou a se colocar à disposição para uma saída negociada para a crise. “Continuo preparado para negociar com os EUA”, emendou.

Lula voltou a sinalizar que o Brasil seguirá buscando diversificar suas exportações como forma de diminuir o impacto do tarifaço na economia brasileira. “Semana que vem, telefonarei para o presidente da França, o primeiro-ministro da Alemanha, da Inglaterra, o presidente da África do Sul. Semana que vem, também ligarei para Ursula von der Leyen e dizer para negociar conosco no acordo com Mercosul”, explicou.

“Complexo de superioridade”

Na mesma entrevista, o presidente negou que tenha “subestimado” Donald Trump, diante dos sinais de que os americanos poderiam sobretaxar os produtos brasileiros, como de fato aconteceu.

Sobre isso, Lula argumentou que não havia como prever o comportamento do presidente americano porque Trump estaria agindo com “complexo de superioridade”. Além disso, Lula acusou Trump de ter “ciúmes” da participação do Brasil no grupo do Brics, que reúne países do Sul global.

“Queremos manter a relação com EUA de forma civilizada e ordeira. Não subestimei o Trump porque ele tem agido com anormalidade e com complexo de superioridade. Em outubro, vou à Malásia e Indonésia tentar vender produtos brasileiros. Os EUA têm um pouco de ciúmes da participação do Brasil no Brics.”

Em seguida, Lula voltou a defender o direito dos países de fazerem negociações comerciais por meio de moedas alternativas, e não por meio do dólar, assunto que teria irritado a gestão Trump. “Não podemos ficar dependendo do dólar e temos direito de negociar em outras moedas. Não queremos mexer com dólar”, argumentou o presidente.

Por fim, Lula disse que espera encontrar Trump um dia, de maneira presencial, mas para uma conversa “civilizada”. Sobre isso, ele acrescentou que a resistência para uma negociação entre os dois países não está partindo do Brasil, mas, sim, dos Estados Unidos. “Eu espero que, algum dia, eu possa encontrar com o Trump para conversar como dois seres humanos civilizados, como deve ser entre dois chefes de Estado. Não é da parte do Brasil ter qualquer empecilho na conversação com os EUA”, complementou.

滚动至顶部