Lula no G7 no Canadá: o que o presidente quer do grupo e o que o grupo quer dele?
Source: BBC | Original Published At: 2025-06-17 07:18:45 UTC
Key Points
- Lula busca reduzir críticas de ser antiocidental e reforçar pontes com o Ocidente.
- Participação no G7 visa avançar em agendas ambientais e diplomáticas, como a COP30.
- G7 busca legitimidade ao incluir líderes do Sul Global, reconhecendo a influência econômica dos Brics.
- Discussões sobre conflitos internacionais (Ucrânia, Israel-Irã) e cooperação comercial com o Canadá.
O que Lula quer do G7 e o que o G7 quer de Lula?
Crédito, Ricardo Stuckert/Presidência da República Legenda da foto, Lula vai à reunião do G7 no Canadá em meio a queda na popularidade
Author, Leandro Prazeres
Role, Enviado da BBC News Brasil a Calgary
Há 4 horas
“São os primos ricos que se reúnem e não querem parar de se reunir. Eles estão no G20, que eu acho que tem mais importância, mais densidade humana, densidade econômica. De qualquer forma, eu sou convidado desde que fui eleito em 2003 e participo para não dizerem que eu recuso a festa dos ricos”, disse Lula à imprensa mencionado o G20, grupo do qual o Brasil faz parte e que reúne as 20 maiores economias do mundo.
Além disso, ele vem sendo criticado por adversários políticos por passar muito tempo fora do país enquanto problemas domésticos se acumulam à espera de solução.
Essa possibilidade, no entanto, não se confirmou porque a equipe de Trump anunciou que o presidente iria voltar aos Estados Unidos na noite de segunda-feira para tratar da crise gerada pelos bombardeios entre Israel e Irã.
Diante desse quadro, o que Lula espera obter em sua ida ao G7?
E do outro lado: o que o G7 espera obter a partir da presença de Lula e de outros líderes do chamado “sul global” como o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa?
Especialistas e diplomatas com quem a BBC News Brasil conversou nos últimos dias avaliam que, de um lado, Lula deverá usar sua ida ao G7 para mostrar à comunidade internacional que ele não é um líder “antiocidental”, majoritariamente alinhado com países como Rússia e China.
Os especialistas também afirmam que Lula poderá usar sua presença no G7 para tentar avanços em agendas tidas como importantes para a diplomacia brasileira, como a pauta ambiental, especialmente às vésperas de o Brasil sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no final do ano.
Por outro lado, os especialistas e diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o G7 convida líderes do chamado “sul global” por entender que, sozinhos, os seus membros já não conseguem mais ditar as regras do sistema internacional.
Crédito, Ricardo Stuckert/Presidência da República Legenda da foto, Proximidade de Lula com líderes como o russo Vladimir Putin tem gerado críticas de observadores norte-americanos e europeus
Pontes com o Ocidente
Crédito, Getty Images Legenda da foto, Trump antecipou saída do G7 por conta de conflito entre Israel e Irã
Meio ambiente e regras do jogo internacional
Os especialistas e diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil também afirmam que Lula tentará usar o G7 para avançar alguns temas da sua agenda internacional. O principal deles, é a pauta ambiental.
Para o conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) Houssein Kallout, ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República no governo Temer, Lula deverá usar sua ida ao G7 para tratar de três temas.
Uma fonte do governo brasileiro ouvido em caráter reservado disse à BBC News Brasil que outro tema que provavelmente entrará na pauta da intervenção brasileira no G7 é o recente conflito entre Israel e Irã.
E o que o G7 quer de Lula?
Três dos cinco principais fundadores dos Brics foram convidados para a cúpula: Brasil, Índia e África do Sul. Ficaram de fora dois dos principais adversários norte-americanos: Rússia e China.
Para Kallout, o convite do G7 à participação do Brasil e de outros países do chamado “sul global” é parte de uma estratégia de evitar um esvaziamento do grupo e mantê-lo conectado com outras potências emergentes.