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Banco do Brics: ‘Tarifas estão sendo usadas como ferramentas de subordinação política’, diz Dilma Rousseff

Source: O Globo | Original Published At: 2025-07-04 13:56:19 UTC

Key Points

  • Tarifas e sanções são usadas como ferramentas de subordinação política
  • Necessidade de cooperação entre países emergentes e do Sul Global
  • Reestruturação das cadeias produtivas globais por interesses geopolíticos
  • Importância de financiamento climático para países vulneráveis
  • Investimentos em infraestrutura verde e energia limpa
  • Fortalecimento do financiamento em moeda local e swaps bilaterais
  • Consolidação do NDB como instituição financeiramente sólida e politicamente relevante

Diante das transformações geopolíticas, tarifas e sanções estão sendo usadas como “ferramentas de subordinação política”, afirmou Dilma Rousseff , ex-presidente do Brasil e presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics . Ela afirma que os países emergentes e do Sul Global têm de atuar em parceria para fazer frente a esse desafio e impulsionar o desenvolvimento sustentável.

Ela abriu o 10º encontro anual da instituição multilateral que reúne países emergentes, incluindo Brasil, Índia, China, África do Sul e Rússia, na manhã desta sexta-feira, no Rio de Janeiro. O NDB estabeleceu uma força para fazer frente ao grupo G7, que detém grande parte da riqueza mundial, nos últimos anos.

Dilma fez referência ao governo de Donald Trump, sem citar diretamente o nome do presidente americano:

– (O mundo) está mais fragmentado, mais desigual e mais exposto a crises sobrepostas, crises climática, econômica, geopolítica. O multilateralismo está sob pressão. Testemunhamos um recuo na cooperação e o ressurgimento do unilateralismo. Tarifas, sanções e restrições financeiras estão sendo usadas como ferramentas de subordinação política – destacou ela.

‘Mais cooperação’

A presidente do NDB afirmou que a instituição não tem o objetivo de “substituir quem quer que seja, porém buscamos provar que há mais de uma maneira de promover o desenvolvimento”. E afirmou que as mudanças em curso nas cadeias produtivas globais, como resultado de pressões geopolíticas, vão demandar mais cooperação.

– As cadeias produtivas globais estão sendo reestruturadas, não apenas pela busca de mais eficiência, mas sim por interesses geopolíticos. E o sistema financeiro internacional continua profundamente assimétrico, colocando os fardos mais pesados sobre aqueles com menos recursos. Tal cenário exige não mais e não menos cooperação. Mais e não menos cooperação – reforçou Dilma.

Ela frisou que o NDB foi construído sobre a premissa de que os países do Sul Global, os países membros dos BRICS, “têm o direito, bem como a capacidade de definir os seus próprios caminhos de desenvolvimento”. E reforçou a importância de resistir aos esforços de dominação geopolítica de nações mais desenvolvidas:

– Não temos o objetivo de substituir quem quer que seja, porém buscamos provar que há mais de uma maneira de promover o desenvolvimento – destacou, já que o Brics é visto como cada vez mais vocal e atuante como contraponto ao bloco de países mais ricos.

Dilma defendeu, em seu discurso, a ideia de que os países emergentes e em desenvolvimento merecem instituições que compreendam seus desafios, respeitem suas escolhas e apoiem suas ambições:

– A estrutura de governança única do banco, baseada na igualdade entre os membros, é uma prova dessa crença. Nenhum país domina, nenhuma voz é silenciada – disse a presidente do NDB.

Na próxima década, Dilma afirmou que será preciso enfrentar a emergência climática com determinação e solidariedade, de forma que o financiamento climático ajude sobretudo os países mais afetados por eventos extremos.

E que o NDB deve ampliar investimentos em infraestrutura verde, energia limpa, transição energética e tecnologias inteligentes para o clima.

Financiamentos em moeda local

Outro ponto será a abraçar a revolução digital de “maneira ativa e estratégica”, de forma a aumentar produtividade, promover inovação, ampliar o acesso à educação, à saúde e a serviços públicos.

Falou ainda no tema que vem sendo alvo de crítica de Trump, transações comerciais feitas em moedas locais, ao invés de em dólar:

– É preciso inovar. Devemos fortalecer o financiamento em moeda local, explorar swaps bilaterais, ajudar nossos países membros a reduzir a exposição à volatilidade externa e aprofundar os mercados de capitais domésticos.

O objetivo, daqui para frente, é consolidar a liderança para o desenvolvimento em um mundo “multipolar”:

– Devemos consolidar nosso papel de liderança para o desenvolvimento equitativo, sustentável e autônomo em um mundo multipolar, o que significa desenvolver ainda mais uma instituição que não seja apenas financeiramente sólida, mas que também seja politicamente relevante e transformadora – concluiu Dilma.

O tema do evento deste ano é “Impulsionando o Desenvolvimento, promovendo inovação, cooperação e impacto por meio de um banco multilateral de desenvolvimento para o Sul Global”.

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