Indicado ao comando do BB, Fausto Ribeiro deve trocar parte da diretoria e fazer indicações políticas
Source: Jornal O Globo | Original Published At: 2021-03-22 14:29:09 UTC
Key Points
- Fausto Ribeiro assumirá a presidência do Banco do Brasil com intenção de renovar parte da diretoria para acomodar indicações políticas
- Dois vice-presidentes devem deixar cargos após serem preteridos na escolha do novo presidente
- Conselho de Administração do BB também sofrerá mudanças com saída de membros ligados ao ex-presidente André Brandão
- André Brandão renunciou após desentendimentos com Bolsonaro sobre plano de reestruturação do banco
- Assembleia geral de acionistas em 28 de abril definirá recondução de mandatos no conselho
BRASÍLIA – A diretoria do Banco do Brasil (BB) deverá passar por ampla renovação, assim que Fausto Ribeiro assumir a presidência da instituição. Segundo interlocutores, Ribeiro já deu sinais de que vai fazer trocas nas vice-presidências para acomodar indicações políticas.
Além disso, pelo menos dois vice-presidentes já manifestaram intenção de deixarem os cargos por estarem se sentindo desconfortáveis, uma vez que foram preteridos na escolha do nome para comandar o BB.
Ribeiro foi promovido à presidência do BB, sem precisar passar pela vice-presidência, caminho natural na hierarquia do banco. Ele vai substituir André Brandão, que renunciou ao cargo na quinta-feira passada, depois de desentendimentos com o presidente Jair Bolsonaro em relação ao plano de reestruturação do banco, com fechamento de 361 agências e demissão voluntária.
A troca de comando no BB deverá provocar também baixas no Conselho de Administração da instituição. O presidente do colegiado, Hélio Magalhães, que dirigiu o Citi Brasil, e o economista José Guimarães Monforte já avisaram que vão entregar os cargos.
A tendência é que isso aconteça na assembleia geral de acionistas marcada para 28 de abril — quando os mandatos dos conselheiros deveriam ser reconduzidos.
Magalhães e Monforte foram indicados ao colegiado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e eram muito próximos a Brandão. Os conselheiros não só aprovaram o plano de reestruturação do BB, como também cobravam do executivo celeridade no processo.
Em reunião extraordinária do Conselho no início deste mês, os conselheiros registraram em ata que lamentavam a saída de Brandão e recomendaram que o substituto estivesse ‘à altura de seu notável perfil técnico e profissional, aptidões essenciais para se liderar uma instituição com o porte e complexidade’ do banco.
Brandão ficou quase seis meses à frente do BB e não se enturmou com os políticos em Brasília, segundo auxiliares. Não gostava de frequentar reuniões com parlamentares nem de prestigiar posse de ministros.
Segundo fontes do BB, o substituto tem outro perfil e precisará de força para recusar inúmeros pedidos que costumam chegar ao banco.
Brandão fica no cargo até 31 de março. Até lá, o comitê de elegibilidade do BB terá que analisar se Fausto Ribeiro atende aos requisitos legais previstos na Lei das Estatais. Depois disso, será necessário a edição de um decreto presidencial com a sua nomeação para que ele assuma a presidência da instituição.