Moscou avalia proposta de Lula para pôr fim à guerra na Ucrânia, diz vice-chanceler russo
Source: Brasil 247 | Original Published At: 2023-02-23 16:27:00 UTC
Key Points
- Rússia analisa propostas de paz de Lula com base na política equilibrada do Brasil
- Galuzin destaca importância do multilateralismo e da consideração da realidade 'no terreno'
- Rússia valoriza posição brasileira de não fornecer armas à Ucrânia e rejeitar sanções unilaterais
- Relações estratégicas entre Brasil e Rússia são reforçadas no BRICS, G20 e ONU
“Estamos examinando as iniciativas, principalmente do ponto de vista da política equilibrada do Brasil e levando em consideração a evolução da situação ‘no terreno'”, disse Mikhail Galuzin
Tass – Moscou está estudando as propostas de paz do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para a Ucrânia, mas está levando em conta a evolução da situação “no terreno”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Galuzin, em entrevista à TASS.
“Tomamos nota das declarações do presidente do Brasil sobre o tema de uma possível mediação, a fim de encontrar caminhos políticos para evitar a escalada na Ucrânia, corrigindo erros de cálculo no campo da segurança internacional com base no multilateralismo e considerando os interesses de todos os atores. Estamos examinando as iniciativas, principalmente do ponto de vista da política equilibrada do Brasil e, claro, levando em consideração a situação ‘no terreno'”, afirmou.
Galuzin enfatizou a importância da visão do Brasil, que é parceiro estratégico de Moscou bilateral e globalmente. “Estamos interagindo de forma construtiva no BRICS, G20, ONU e seu Conselho de Segurança, onde esta nação agora é representada como membro não permanente”, acrescentou.
A Rússia aprecia o fato de o Brasil não fornecer armas a Kiev, apesar da pressão dos EUA, enfatizou o vice-ministro das Relações Exteriores.
“Gostaria de enfatizar que a Rússia valoriza a posição de equilíbrio do Brasil na atual situação internacional, sua rejeição a medidas coercitivas unilaterais tomadas pelos EUA e seus satélites contra nosso país e a recusa de nossos parceiros brasileiros em fornecer armas, equipamentos militares e munição para o regime de Kiev”, disse ele.
“Ao mesmo tempo, podemos ver como Washington está pressionando o Brasil. Essa postura soberana merece respeito”, acrescentou Galuzin.
Mais cedo, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as autoridades do país não tinham intenção de transferir armas e munições para terceiros países para serem usadas no conflito ucraniano.