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Após derrota de Milei nas eleições de Buenos Aires, mercado dá uma guinada em sua avaliação sobre Argentina

Após derrota de Milei nas eleições de Buenos Aires, mercado dá uma guinada em sua avaliação sobre Argentina
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Source: O Globo | Original Published At: 2025-09-09 20:48:52 UTC

Key Points

  • Derrota eleitoral do partido de Javier Milei em Buenos Aires surpreende investidores e desencadeia crise de confiança
  • Morgan Stanley e outros bancos revertem recomendações de compra de ativos argentinos após colapso financeiro
  • Peso argentino atinge mínima histórica e mercados locais registram quedas acentuadas
  • Escândalo de corrupção envolvendo a irmã de Milei abala sua imagem de reformista e afeta perspectivas econômicas
  • Eleições legislativas de outubro serão cruciais para determinar continuidade das reformas econômicas

O banco de Wall Street, juntamente com rivais como o Bank of America e o JPMorgan, havia aconselhado os clientes a comprarem títulos de dívida do governo antes da importante eleição local em Buenos Aires no último fim de semana, em uma aposta de que os recentes tropeços políticos do presidente argentino já estivessem no preço durante as vendas que varreram os mercados financeiros do país nos últimos meses.

Na noite de domingo, chegou a notícia de que o partido de Milei havia sofrido uma derrota esmagadora na votação, um sinal preocupante antes das eleições nacionais para o Congresso no próximo mês. Na manhã de segunda-feira, as previsões positivas saíram pela culatra de forma espetacular.

Alguns dos títulos em moeda forte da Argentina desabaram quase 7 centavos, para 55 centavos de dólar, a maior queda em dois anos, o que elevou o rendimento para 12,7%. O mercado de ações local despencou 13%, a pior derrocada diária desde o início da pandemia. E, com a saída apressada de investidores globais, o peso argentino caiu até 7% e atingiu uma nova mínima histórica.

O Morgan Stanley abandonou seu otimismo. O colapso enviou uma mensagem clara: os investidores estão cada vez mais temerosos de que Milei, intrincado no escândalo de corrupção envolvendo sua irmã, sofra uma repreensão tão grande na eleição do próximo mês que prejudicará a capacidade dele de implementar as reformas necessárias para consolidar os ganhos que obteve no combate à inflação e no estímulo à recuperação econômica.

Para investidores há muito acostumados aos altos e baixos da Argentina, um país que já esteve em default com suas dívidas nove vezes ao longo da história, uma recaída na crise, de repente, se tornou um cenário muito plausível.

“Com a incerteza do mercado destinada a durar, vamos ficar de fora, apesar dos níveis provavelmente muito mais baratos hoje”, escreveram em uma nota o economista do Morgan Stanley Fernando Sedano e o estrategista Simon Waever. Eles também retiraram a recomendação positiva sobre os títulos em dólar.

Na segunda-feira, a turbulência do mercado ressaltou o quanto o poder político de Milei foi abalado por relatos de um escândalo de corrupção envolvendo sua irmã e supostas propinas pagas em troca de contratos governamentais para medicamentos, o que o governo negou. Os relatos mancharam a reputação de Milei de reformista radical e outsider não contaminado pela política tradicional. Manifestantes irados chegaram a lançar pedras contra ele durante uma recente aparição pública.

Havia a expectativa de que Milei fosse derrotado nas eleições locais, mas a magnitude da derrota do seu partido para o de oposição peronista de esquerda — a diferença foi de quase 14 pontos percentuais — surpreendeu os investidores e gerou rumores de que o presidente reformularia o gabinete para conter os danos. Milei disse que estava embarcando em uma “autocrítica profunda”.

Uma estrela do mercado

Milei, um economista libertário, tornou-se o favorito dos investidores globais por promover cortes profundos de gastos que reduziram um déficit orçamentário inflado e por reformas abrangentes de livre mercado, numa tentativa de recuperar a segunda maior economia da América do Sul. A terapia de choque de Milei começava a dar resultados, levando a uma queda na inflação, um superávit orçamentário surpreendente e um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional.

O resultado desencadeou um forte rali nos mercados da Argentina, o que impulsionou a alta das ações e deu aos detentores de títulos de dívida do país um ganho de 136% desde que Milei foi eleito, ficando atrás apenas do Líbano e do Equador entre as dívidas de mercados emergentes monitoradas pela Bloomberg.

Esses retornos alimentaram o otimismo entre alguns estrategistas, e alguns preveem que a venda de segunda-feira pode durar pouco.

Os estrategistas do JPMorgan Luis Oganes e Jonny Goulden reafirmaram a recomendação overweight (alocação acima da média do índice de referência) para os títulos soberanos da Argentina. Eles antecipam que Milei será capaz de salvar a agenda de reformas e “recalibrar sua estratégia política para corrigir os erros”.

O Bank of America, que carrega uma recomendação equivalente para a dívida argentina desde meados de 2023, também manteve a posição em uma nota após os resultados das eleições, embora seus estrategistas tenham alertado que os investidores provavelmente se prepararão para resultados “menos favoráveis ​​ao mercado” no mês que vem.

Próximas sete semanas serão ‘cruciais’

Embora alguns gestores tenham reduzido a exposição após obter retornos de três dígitos desde que Milei assumiu o poder no final de 2023, a Argentina continua sendo favorecida entre investidores institucionais e hedge funds, segundo nota da mesa do Goldman Sachs vista pela Bloomberg.

Mas a dinâmica política agora alimenta preocupações sobre a natureza precária do processo de recuperação às vésperas das eleições legislativas do próximo mês. O governo já havia começado a intervir no mercado cambial para tentar sustentar o peso e vem rolando sua dívida local a taxas recordes, o que ameaça prejudicar a economia e pressionar o orçamento.

“As próximas sete semanas até as eleições de outubro serão cruciais para avaliar se o governo conseguirá controlar os danos”, escreveu Andres Borenstein, analista do BTG Pactual, em nota. “Mas qualquer melhora significativa nos preços dos ativos argentinos provavelmente terá que esperar até o final de outubro, no mínimo.”

À medida que Milei se aproxima da metade de seu mandato, a votação legislativa será crucial para determinar se ele conseguirá continuar impulsionando a Argentina por um novo caminho econômico. Sua derrota nas eleições de Buenos Aires ecoou a derrota sofrida por Mauricio Macri nas primárias de 2019, o que alimentou temores de que suas políticas pró-mercado estivessem chegando ao fim.

Enquanto isso, a estratégia de Milei para estabilizar a moeda está sob pressão. O peso tem oscilado em torno de mínimas históricas desde agosto, apesar dos esforços do governo para aliviar a demanda por dólar, reduzindo a liquidez dos bancos e intervindo diretamente no mercado de câmbio, uma medida que assustou ainda mais os investidores. O peso estava sendo negociado acima de 1.400 por dólar na segunda-feira, aproximando-se do nível superior da banda definida pelas autoridades.

“Vemos espaço para mais volatilidade antes da votação de outubro”, disse Kathryn Exum, co-chefe de pesquisa soberana da Gramercy Funds Management. As perspectivas de a Argentina retomar o acesso ao mercado ou a necessidade de o país realizar um processo de gestão de passivo no próximo ano “dependerão do desempenho de Milei em outubro – e, mais importante, da execução das políticas após a votação”.

Apesar do sentimento negativo, Milei prometeu redobrar seus esforços em seu plano econômico em um discurso logo após a divulgação dos resultados de Buenos Aires, alegando que os erros que levaram ao resultado eleitoral ruim vieram principalmente da política.

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