Fed: dissidência solitária em decisão de juros mostra que BC dos EUA segue unido sob a pressão de Trump
Source: O Globo | Original Published At: 2025-09-17 22:45:50 UTC
Key Points
- Corte de juros de 0,25 ponto pelo Federal Reserve
- Stephen Miran foi o único voto dissidente, defendendo corte maior
- Unidade do Fed sob pressão de Trump demonstrada por consenso quase unânime
- Política monetária do Fed mantida apesar das exigências políticas
- Mecanismo de votação rotativo do Fomc limita influência individual
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) decidiu hoje cortar a taxa básica de juros pela primeira vez neste ano, tudo como previsto pelos analistas de mercado. O corte foi de 0,25 ponto percentual, ficando agora no intervalo entre 4% e 4,25% ao ano.
Talvez a maior surpresa dessa decisão seja o fato de que houve apenas um voto dissidente na diretoria do Fed que compõe o Fomc, o comitê que define a política monetária americana. Mesmo assim, a unidade do banco central diante do ataque do presidente Donald Trump sobressaiu.
O presidente do Fed, Jerome Powell, conseguiu, contra todas as probabilidades, forjar um consenso quase unânime na reunião de política monetária desta semana, com o novo diretor Stephen Miran (indicado pelo presidente Donald Trump e confirmado ontem pelo Senado) sendo o único a votar contra o corte de juros de um quarto de ponto percentual.
Miran, um aliado próximo de Donald Trump que tomou posse em um cargo temporário no Fed na terça-feira, discordou em favor de uma redução maior — algo que o presidente vem exigindo há meses. Mas os diretores Christopher Waller e Michelle Bowman, que em julho haviam registrado dissidências mais “dovish” (tendência de menor rigor monetário), se abstiveram desta vez.
— Está muito claro que Powell conseguiu domar os gatos — disse Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, à Bloomberg TV após a decisão.
Um voto dissidente na reunião de setembro do Fed
A Casa Branca considera Waller e Bowman entre os possíveis candidatos para substituir Powell como presidente quando seu mandato terminar em maio. Trump nomeou ambos como diretores do Fed durante seu primeiro período no cargo.
Miran, por sua vez, está em licença não remunerada de sua função como presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca para ocupar um assento temporário no Fed que expira em janeiro.
Essa nomeação ampliou as preocupações de que as decisões de política monetária do banco central estejam se tornando politizadas. Trump tem sido incansável em suas exigências por cortes maiores nos juros. O Fed, em grande parte, as ignorou, mantendo sua taxa básica inalterada nos primeiros oito meses deste ano para se proteger contra o risco de inflação decorrente das tarifas impostas pelo presidente.
Em sua coletiva de imprensa após o anúncio do corte de juros desta quarta-feira, Powell afirmou que a estrutura do comitê impede que qualquer formulador de política tenha influência desproporcional.
— São 19 participantes, dos quais 12 votam em sistema rotativo — disse Powell. — A única maneira de algum votante realmente mudar as coisas é ser incrivelmente persuasivo.