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Ausência de Xi esvazia importância geopolítica da cimeira de Nova Deli

Source: Diário de Notícias | Original Published At: 2023-09-08 22:00:00 UTC

Key Points

  • Ausência de Xi Jinping reduz impacto geopolítico da cimeira do G20 em Nova Deli
  • Encontro entre Biden e Modi destaca parceria estratégica EUA-Índia
  • Possível inclusão da União Africana no G20 mencionada como potencial avanço
  • Conflito sobre condenação da Rússia na Ucrânia impede declaração conjunta
  • China prioriza BRICS e iniciativa Uma Faixa, Uma Rota sobre o G20

Mal aterrou em Nova Deli, na sexta-feira à noite, o presidente dos Estados Unidos foi encaminhado para um encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi. Joe Biden é um dos 15 líderes que vão manter conversações bilaterais com o chefe do governo que detém a presidência rotativa do G20. Mas foi o único a ter o privilégio de ser recebido na residência de Modi, um sinal da importância que a Índia dá às relações com a maior economia do mundo. Aos restantes dignitários não faltam ocasiões para ver o anfitrião – nem que seja nos cartazes espalhados nas principais artérias da cidade. Enquanto as ausências de Xi Jinping (e, numa outra escala, de Vladimir Putin) menorizaram a importância da cimeira, estes dois líderes reiteraram-na, enquanto o secretário-geral das Nações Unidas António Guterres, tendo como mote o lema da reunião (Uma Terra, uma família, um futuro), notou que o mundo se assemelha hoje a “uma família bastante disfuncional”.

“Os líderes reafirmaram o seu compromisso para com o G20 e manifestaram confiança em que os resultados da cimeira de líderes do G20 em Nova Deli farão avançar os objetivos comuns de acelerar o desenvolvimento sustentável, reforçar a cooperação multilateral e criar um consenso mundial em torno de políticas económicas inclusivas para enfrentar os nossos maiores desafios comuns, incluindo a reformulação e o reforço dos bancos multilaterais de desenvolvimento”, lê-se num comunicado publicado pela Casa Branca e que abordou muitos outros temas da parceria estratégica.

A reunião ficou também marcada pelo facto de a equipa de jornalistas que acompanha Biden ter sido barrada à porta da residência.

Modi recebeu Biden na sua residência. © Twitter do PM da Índia.

Mas o que pode esta cimeira de chefes de Estado e de governo alcançar? A presidência indiana centrou-se em torno de mais empréstimos a países em desenvolvimento de instituições multilaterais, à reforma da dívida internacional, à regulamentação das criptomoedas e o impacto das incertezas geopolíticas (leia-se a guerra na Ucrânia) na segurança alimentar e energética.

No entanto, nas reuniões ao nível ministerial, o bloco falhou a publicação de qualquer declaração conjunta. A linguagem sobre a invasão russa não o permitiu, uma vez que a própria Rússia e também a China se opõem a que Moscovo seja responsabilizado pela agressão, enquanto países como os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e o Canadá pediram uma condenação.

Modi, que diz que o seu país está a transformar-se na voz do “sul global” – uma expressão sem fronteiras bem definidas mas que está associada aos países em vias de desenvolvimento -, apostou forte na cimeira, a de mais alto nível que o país alguma vez organizou. No que respeita à segurança, policiam as ruas da capital 130 mil pessoas, enquanto sistemas antidrone estão ativos. Para receber em grande os convidados, uma área de 93 hectares junto ao centro de congressos Bharat Mandapam (Pavilhão da Índia) deixou de ter bairros de lata, fachadas foram pintadas, fontes e flores adornam as rotundas na área.

Os membros das 20 maiores economias totalizam mais de 80% do produto interno bruto do planeta, 60% da população e três quartos do comércio ao nível global.

Enquanto projeta a imagem de um líder do terceiro mundo, Modi quer mostrar uma Índia (ou Bharat) pujante e desenvolvida, como demonstra o feito da recente expedição à Lua e da missão em curso para estudar o Sol. E, claro, fala também para os seus 1,4 mil milhões de compatriotas quando se predispõe para avançar para uma terceira candidatura às eleições legislativas, que se realizam em 2024.

Segundo vários analistas, na melhor das hipóteses, porém, o único trunfo na manga de Modi é a inclusão da União Africana. Só um país do continente, a África do Sul, faz parte do G20. A medida tem o apoio declarado da União Europeia e de vários outros países, mas uma mão cheia mantinha-se em silêncio.

É o diplomata Sergei Lavrov quem representa a Rússia, à imagem da cimeira anterior, em Bali. Entretanto o líder Vladimir Putin passou a ser procurado internacionalmente por crimes de guerra, mas poderia deslocar-se à cimeira sem receios de ser detido, uma vez que a Índia não é signatária do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, ao contrário de África do Sul, que recebeu a cimeira dos BRICS, e na qual Putin participou em videoconferência. Desta vez alegou uma “agenda preenchida”.

Para o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak, o líder russo é “o arquiteto do seu próprio exílio diplomático”. E concluiu: “Entretanto, o resto do G20 está a demonstrar que vamos comparecer e trabalhar em conjunto para apanhar os pedaços da destruição de Putin.”

Xi gera especulações

Quem não compareceu pela primeira vez à cimeira do G20 desde que ascendeu ao poder, em 2012, é Xi Jinping. Aliás, é inédita a ausência do líder chinês nas cimeiras do G20. Ao contrário de Putin, Xi não deu qualquer satisfação sobre a permanência em casa, onde vai receber os homólogos da Venezuela e da Zâmbia, Nicolás Maduro e Hakainde Hichilema, respetivamente, em visitas de Estado de uma semana. Os dois países encontram-se extremamente endividados. Mas a situação económica da China também está longe de ser resplandecente. A crise no setor do imobiliário, a elevada taxa de desemprego jovem e a perda de investimento estrangeiro, entre outros fatores, poderão levar Xi a não querer falar no estrangeiro sobre o seu país e, ao mesmo tempo, mostrar empenho nas tarefas domésticas.

Essa hipótese validaria uma notícia do japonês Nikkei Asia, segundo a qual Xi foi responsabilizado pelo caminho do país pelos camaradas mais velhos do Partido Comunista. As críticas, num tom inédito, foram ouvidas diretamente num encontro anual dos mais veteranos com o presidente, e este terá ficado muito agastado. A sua ausência de uma conferência em que iria discursar, na cimeira dos BRICS, deu azo a essa especulação, mas também a outra: a de que se encontra doente.

Outras explicações para que seja o primeiro-ministro Li Qiang o enviado a Nova Deli passam pela controvérsia causada na Índia pelo novo mapa oficial chinês: nele figura o estado indiano de Arunachal Pradesh como sendo Tibete do Sul, e dentro das fronteiras chinesas; pelas relações com os EUA não apresentarem quaisquer melhorias – e com a Apple a perder 200 mil milhões de valor em bolsa com novas restrições aplicadas ao iPhone no mercado chinês – e portanto não querer partilhar o palco com um país que tem muitos aliados naquele foro.

A tese mais provável, contudo, é a de que Pequim não mais vê o G20 como um instrumento diplomático prioritário, dando preferência aos BRICS e à iniciativa Uma Faixa, Uma Rota (que terá uma conferência internacional em outubro para celebrar dez anos). Vários diplomatas acreditados em Pequim e consultados pela Reuters acreditam que a ausência de Xi confirma a tendência de afastamento do Ocidente e respetivos aliados.

À margem

Índia ou Bharat?

O governo indiano enviou os convites para o jantar oficial às delegações participantes nos quais a chefe de Estado Droupadi Murmu é referida como “presidente de Bharat”, o que causou alguma surpresa. Bharat é o nome do país em sânscrito e o que os nacionalistas hindus querem usar em vez de Índia, nome cunhado durante a colonização britânica. A Constituição, no entanto, resolve o assunto logo no primeiro artigo: “A Índia, ou seja, Bharat, será uma união de estados.”

Vegetariano em ouro

A refeição de gala desta noite, sem a presença de carne nem de ovos, vai ser servida numa baixela de luxo. As 15 mil peças dos talheres são feitas em prata e parte banhada a ouro, uma encomenda produzida em 50 mil horas de trabalho por 200 artesãos indianos.

Macacos de cartão

A organização não quer imprevistos de qualquer ordem. Nos últimos dias, as redondezas do local da cimeira foram alvo de limpeza de cães. Dias antes, imagens de langures em cartão foram afixadas com o objetivo de assustar os primatas verdadeiros.

Biden em testes

Jill Biden, a mulher do presidente dos EUA, está com sintomas ligeiros de covid. Desde que foi diagnosticada, na segunda-feira, Joe Biden fez testes com regularidade, inclusive antes de subir a bordo do avião presidencial e durante a viagem. O casal passou o fim de semana junto.

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