Brasil adere a ação que acusa Israel de genocídio
Source: Folha de S.Paulo | Original Published At: 2025-07-14 11:23:00 UTC
Key Points
- Brasil adere à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça acusando Israel de genocídio em Gaza
- Decisão pode agravar tensões com os EUA sob o governo Trump
- Chanceler Mauro Vieira confirmou a adesão durante cúpula do Brics no Rio de Janeiro
- Ex-chanceler Celso Amorim mencionou possibilidade de suspender acordo comercial com Israel
- África do Sul acusa Israel de escalar conflito para "nova e horrenda fase"
O Brasil vai aderir oficialmente à ação que a África do Sul move contra Israel na Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas (ONU).
O governo sul-africano, sucessor do regime do apartheid, acusa Israel de cometer genocídio em Gaza. O Brasil entrará como terceira parte no processo.
Fumaça gerada por bombardeio israelense à área no leste de Jabalia, no centro da Faixa de Gaza – Bashar Taleb – 9.jul.25/AFP
Um diplomata afirmou à coluna que o Itamaraty considera que Israel “deixa claro que vai continuar desprezando a diplomacia, fazendo o que bem entende contra os civis palestinos”.
Segundo ele, isso ocorre não só em Gaza como também na Cisjordânia, “que nunca teve nada a ver com o Hamas”.
Por isso, “chegou a hora” de agir em outras frentes.
A decisão deve gerar reações de Israel e tem potencial de agravar as investidas do governo do norte-americano Donald Trump contra o Brasil.
A informação foi confirmada pelo chanceler Mauro Vieira em uma entrevista à emissora Al Jazeera concedida no fim de semana em que o país sediou a cúpula do Brics, no Rio de Janeiro.
Na entrevista à emissora do Catar, Mauro Vieira foi questionado sobre as razões de o Brasil não aderir oficialmente à ação, já que Lula é sempre veemente ao acusar Israel de cometer genocídio contra os palestinos.
“Nós vamos. Estamos trabalhando nisso, e você terá essa boa notícia em muito pouco tempo”, respondeu ele.
A apresentadora lembrou que a ação ocorre há dois anos, e questionou o chanceler sobre o fato de o Brasil ter demorado tanto para tomar essa decisão.
“Nós fizemos enormes esforços para chamar por negociações. Os últimos desenvolvimentos da guerra nos fizeram tomar a decisão de nos juntarmos à África do Sul na Corte Internacional”, afirmou ele.
O ex-chanceler Celso Amorim, atual assessor internacional de Lula, afirmou à Folha no início do mês que o governo Lula não deve aceitar a indicação de um novo embaixador por Israel devido à ofensiva militar na Faixa de Gaza e às milhares de vítimas palestinas.
Ele disse que o Brasil deve manter as relações [com Israel] em níveis mínimos e ser “muito severo no acordo de livre comércio, talvez até suspendê-lo”.
Na semana passada, em nova petição, a África do Sul acusou o Estado judeu de escalar e elevar o conflito a “uma nova e horrenda fase”.
Israel nega que sua atuação em Gaza viola leis internacionais.